
A história de Lagoa Vermelha está ganhando um novo livro. Escrito pelo professor e cientista político lagoense Cláudio Júnior Damin, a obra resgata histórias reais da Revolução Federalista de 1893 que opôs republicanos e maragatos no Rio Grande do Sul.
“1893 - Sangue na Lagoa Vermelha: Episódios da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul” é organizado em trinta e três episódios ilustrados com mais de oitenta fotografias e gravuras. O livro é o resultado de mais de três anos de pesquisas em arquivos, jornais da época, correspondências, diários militares, processos judiciais, registros cartoriais e na bibliografia já existente sobre a revolução. “Juntar as peças desse imenso e complexo quebra-cabeças constituiu-se em um enorme desafio”, destaca Damin, que é colunista da Folha desde 2005.
A revolução foi produto de uma série de instabilidades políticas instauradas no Rio Grande do Sul após a adoção da República em 15 de novembro de 1889 e abordadas na primeira parte do livro. O autor mostra a escalada de violência política entre republicanos (liderados por Júlio de Castilhos e seguidores de Floriano Peixoto) e federalistas (influenciados pelo tribuno Gaspar Silveira Martins).
O foco do livro é a campanha militar, caracterizada pela prática da degola de prisioneiros e adversários políticos. É narrada em detalhes, por exemplo, a passagem do Exército Revolucionário do general maragato Gumercindo Saraiva pela vila de Lagoa Vermelha em outubro de 1893 e seu regresso do Paraná para o Rio Grande do Sul em maio de 1894. Também são reconstruídos os combates que ocorreram entre legalistas e revolucionários no território de Lagoa Vermelha e Vacaria, que à época faziam fronteira com o estado de Santa Catarina; e na região de colonização italiana, sempre muito cobiçada pelos maragatos.
Já o cerco de três dias de novecentos revolucionários a Lagoa Vermelha, em novembro de 1894, é recuperado a partir de informações inéditas. O livro também realiza investigações sobre massacres de degola contra republicanos lagoenses e o incêndio ordenado por oficiais do governo contra casas de comércio de maragatos em Veranópolis.
“Na narrativa e na análise busquei não tomar partido de um ou outro lado do conflito. Pretendi mostrar a guerra como ela foi, com todas as suas mazelas, para que cada leitor forme o seu próprio juízo sobre o que aconteceu em 1893”, destaca Damin.
De fevereiro de 1893 até a assinatura da paz, em agosto de 1895, a revolução deixou um rastro de dez mil mortos, sendo muitos degolados, sendo um dos mais violentos e sangrentos conflitos internos registrados no Brasil.
O livro encontra-se em processo de revisão e deverá ser lançado em Lagoa Vermelha no mês de maio.

A história de Lagoa Vermelha está ganhando um novo livro. Escrito pelo professor e cientista político lagoense Cláudio Júnior Damin, a obra resgata histórias reais da Revolução Federalista de 1893 que opôs republicanos e maragatos no Rio Grande do Sul.
“1893 - Sangue na Lagoa Vermelha: Episódios da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul” é organizado em trinta e três episódios ilustrados com mais de oitenta fotografias e gravuras. O livro é o resultado de mais de três anos de pesquisas em arquivos, jornais da época, correspondências, diários militares, processos judiciais, registros cartoriais e na bibliografia já existente sobre a revolução. “Juntar as peças desse imenso e complexo quebra-cabeças constituiu-se em um enorme desafio”, destaca Damin, que é colunista da Folha desde 2005.
A revolução foi produto de uma série de instabilidades políticas instauradas no Rio Grande do Sul após a adoção da República em 15 de novembro de 1889 e abordadas na primeira parte do livro. O autor mostra a escalada de violência política entre republicanos (liderados por Júlio de Castilhos e seguidores de Floriano Peixoto) e federalistas (influenciados pelo tribuno Gaspar Silveira Martins).
O foco do livro é a campanha militar, caracterizada pela prática da degola de prisioneiros e adversários políticos. É narrada em detalhes, por exemplo, a passagem do Exército Revolucionário do general maragato Gumercindo Saraiva pela vila de Lagoa Vermelha em outubro de 1893 e seu regresso do Paraná para o Rio Grande do Sul em maio de 1894. Também são reconstruídos os combates que ocorreram entre legalistas e revolucionários no território de Lagoa Vermelha e Vacaria, que à época faziam fronteira com o estado de Santa Catarina; e na região de colonização italiana, sempre muito cobiçada pelos maragatos.
Já o cerco de três dias de novecentos revolucionários a Lagoa Vermelha, em novembro de 1894, é recuperado a partir de informações inéditas. O livro também realiza investigações sobre massacres de degola contra republicanos lagoenses e o incêndio ordenado por oficiais do governo contra casas de comércio de maragatos em Veranópolis.
“Na narrativa e na análise busquei não tomar partido de um ou outro lado do conflito. Pretendi mostrar a guerra como ela foi, com todas as suas mazelas, para que cada leitor forme o seu próprio juízo sobre o que aconteceu em 1893”, destaca Damin.
De fevereiro de 1893 até a assinatura da paz, em agosto de 1895, a revolução deixou um rastro de dez mil mortos, sendo muitos degolados, sendo um dos mais violentos e sangrentos conflitos internos registrados no Brasil.
O livro encontra-se em processo de revisão e deverá ser lançado em Lagoa Vermelha no mês de maio.