Canetas emagrecedoras: uso sem supervisão pode causar perda muscular

PAULA LABOISSIÈRE – REPÓRTER DA AGÊNCIA BRASIL* 22/08/2026


 



Brasília (DF), 04/09/2025 - A liraglutida é o princípio ativo do Saxenda, caneta emagrecedora. Foto: Cristian Camilo/Divulgação

© CRISTIAN CAMILO/DIVULGAÇÃO





O uso de medicamentos popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras tem se mostrado eficaz no combate à obesidade, mas também é associado a casos de deficiência de vitaminas e perda de massa muscular, sobretudo quando não há mudança de hábitos relacionados à alimentação e atividade física.



Em entrevista à Agência Brasil, o endocrinologista membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Marcio Mancini, explica que esse tipo de medicamento - da classe dos agonistas do receptor GLP 1 - pode causar deficiência de micronutrientes e perda excessiva de massa muscular se não houver um acompanhamento adequado.



Segundo ele, o forte efeito de redução do apetite e de atraso do esvaziamento do estômago fazem com que os pacientes, muitas vezes, reduzam drasticamente a ingestão de alimentos, o que pode levar a um consumo insuficiente de proteínas e vitaminas.




“Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em nutrientes."




O médico sugere metas de proteína de aproximadamente 1,2 grama/quilo/dia para indivíduos jovens e saudáveis, e de 1,5 grama/quilo/dia para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia (perda de massa muscular.



De acordo com o especialista, também é essencial fazer o acompanhamento da quantidade de massa magra, o que pode ser feito por meio de exames como a bioimpedância, em consultório, e  densitometria de corpo inteiro, no em laboratório. Outra estratégia é testar a função muscular por meio de testes de força de preensão manual (hand grip) para evitar que a perda de músculo ultrapasse 25% de todo o peso perdido.



Mancini destaca que as queixas mais comuns associadas ao uso de canetas emagrecedoras sem supervisão adequada incluem queda e afinamento de cabelo e sintomas gastrointestinais persistentes, como náusea, constipação, flatulência e sensação de estufamento mais intensos que o normal.



Para evitar tais situações, o endocrinologista lista algumas estratégias comportamentais e dietéticas:




  • fazer consumo fracionado das refeições (pequenas, frequentes e densas em nutrientes ao longo do dia);

  • consumir alimentos ricos em proteína logo no início da refeição, momento em que a sensação de saciedade precoce ainda é menos pronunciada;

  • evitar alimentos muito gordurosos, que costumam provocar náuseas;

  • aumentar o consumo de fibras e líquidos para combater diretamente os efeitos colaterais gastrointestinais.



Já os sinais de alerta a serem monitorados por quem utiliza esse tipo de medicação, no intuito de evitar a desnutrição incluem:




  • diminuição da força física ou da mobilidade no dia a dia, que pode indicar desenvolvimento de sarcopenia (especialmente perigosa em idosos);

  • alterações de exames de laboratório, como redução do nível de vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12;

  • restrição alimentar excessiva com perda completa do prazer diante da comida, que pode indicar que a dose do remédio está excessiva para aquele paciente.




“Por isso, é importante o trabalho de uma equipe multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do educador físico no tratamento”, concluiu.




Para a mentora de mulheres Amanda Vila Nova, os efeitos do tratamento com canetas emagrecedoras foram positivos, já que o processo foi acompanhado por especialistas.



O resultado, segundo ela, foi emagrecimento eficaz e qualidade de vida. “Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”.



*Colaborou Jailma Barbosa, da TV Brasil







Edição:
Maria Claudia



Fonte: Agência Brasil

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