O dia seguinte
O Brasil acorda nesta segunda-feira com um presidente reeleito, uma virada inédita nas urnas e uma pergunta que a apuração não respondeu: como será o país depois de uma das eleições mais disputadas de sua história? Lula conquistou o quarto mandato, superou uma desvantagem de 2,2 milhões de votos no primeiro turno e contrariou a maioria das pesquisas. Flávio Bolsonaro, derrotado, anunciou que não reconhece o resultado e pretende pedir a anulação do pleito. Entre a comemoração de uns e a contestação de outros, o informativo especial do nosso Congresso em Foco mostra onde Lula ganhou a eleição, quem ajudou a construir a vitória e quais desafios começam quando as urnas se fecham. O Brasil já escolheu seu presidente. Falta descobrir como virar a página.
A virada
Lula foi reeleito para um quarto mandato após derrotar Flávio Bolsonaro no segundo turno. O petista chegou à votação decisiva atrás do senador e contrariou a maioria das pesquisas divulgadas na reta final, que apontavam vantagem do candidato do PL. Uma vitória histórica, construída na recuperação de votos em todas as regiões do país. (Clique aqui)
Nunca antes
Desde a adoção do sistema de dois turnos, em 1989, nenhum candidato havia terminado a primeira votação em segundo lugar e conseguido vencer a disputa presidencial. Lula foi o primeiro. A reviravolta também lhe garantiu um feito pessoal: será seu quarto mandato à frente do Palácio do Planalto. (Clique aqui)
A matemática da vitória
Lula conquistou 10,3 milhões de votos adicionais entre os turnos, quase três vezes os 3,6 milhões obtidos por Flávio. Assim, transformou uma desvantagem de 2,2 milhões de votos em uma vitória por aproximadamente 4,4 milhões. A eleição também registrou queda na abstenção e nos votos brancos e nulos. (Clique aqui)
Urnas se respeitam
A OAB parabenizou Lula pela reeleição e defendeu o respeito ao resultado. O presidente da entidade, Beto Simonetti, desejou sucesso ao petista e reafirmou a disposição da Ordem para o diálogo e o fortalecimento das instituições.
Pontes depois das urnas
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que a reeleição de Lula abre uma oportunidade para reconciliar o país após a campanha polarizada. O deputado defendeu diálogo e reconstrução de pontes entre diferentes forças políticas.
Congresso pela pacificação
Davi Alcolumbre também defendeu a reconciliação nacional. O presidente do Senado afirmou que a divisão política prejudica a população e as instituições e prometeu um "Congresso altivo voltado à pacificação". Para ele, superar a polarização não exige abandonar diferenças partidárias ou ideológicas.
Mau perdedor
Flávio Bolsonaro anunciou que pretende pedir à Justiça a anulação do segundo turno e afirmou não reconhecer o resultado. O senador questiona a prorrogação do horário de votação determinada por Cristiano Zanin após relatos de problemas no transporte de eleitores. Segundo ele, é "impossível reconhecer" a eleição nas circunstâncias em que ocorreu.
Não é meu presidente
Nikolas Ferreira também contestou a reeleição. O deputado criticou a extensão da votação por duas horas e declarou: "Até lá, Lula não é meu presidente". Aliado de Flávio, ele defende esclarecimentos sobre a decisão judicial.
As duas horas que viraram disputa
Após denúncias de problemas no transporte de eleitores em diferentes Estados, a campanha de Lula pediu ao TSE a prorrogação da votação. Sem resposta, recorreu ao STF. Relator escolhido por sorteio, Cristiano Zanin determinou a extensão até as 19h, posteriormente esclarecendo que a medida valeria apenas para seções ainda abertas. A decisão se tornou o principal argumento da contestação de Flávio.
Apuração interrompida
A prorrogação levou o TSE a suspender temporariamente a totalização dos votos. Nunes Marques afirmou que a decisão provocou dificuldades operacionais e riscos tecnológicos, mas garantiu que a apuração foi retomada sem comprometer a integridade do resultado. (Clique aqui)
A omissão que virou crise
Nunes Marques criticou as dificuldades provocadas pela prorrogação da votação, mas deixou sem resposta uma questão central: por que não decidiu antes? As duas campanhas haviam pedido a ampliação do horário, e cabia ao presidente do TSE aceitar ou rejeitar a medida. Na eleição anterior, Alexandre de Moraes foi categórico ao negar pedidos semelhantes, sem deixar margem para dúvidas. Desta vez, a ausência de uma decisão levou o caso ao STF, e cabia ao sorteado decidir. A intervenção provocou transtornos operacionais e acabou servindo de argumento para Flávio Bolsonaro, como um bom mau perdedor, contestar o resultado. Se a extensão do horário representava tantos riscos, por que Nunes Marques não a rejeitou quando teve oportunidade?
Onde a eleição virou
Nordeste garantiu a Lula uma vantagem de 13,65 milhões de votos. Mas o Sudeste foi decisivo para a recuperação: a diferença favorável a Flávio encolheu 2,86 milhões de votos entre os turnos. O petista também reverteu o resultado no Norte. A vitória foi construída em regiões diferentes, por caminhos diferentes.
O mapa conta outra história
Lula ampliou sua participação relativa em todos os Estados e no Distrito Federal. Os maiores avanços ocorreram no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Goiás, embora Flávio tenha vencido nessas unidades da Federação. Em Minas Gerais, o petista ganhou 1,16 milhão de votos e reverteu a derrota do primeiro turno. Veja onde cada candidato ganhou ou perdeu terreno
Um país, dois mapas
Lula venceu em 13 Estados. Flávio conquistou outros 13 e o Distrito Federal. O mapa dividido quase ao meio traduz a polarização territorial, mas não o resultado nacional: a soma dos votos garantiu a reeleição do petista. Uma lembrança de que Estados não votam. É o povo que vota.
Herói improvável
A trajetória de Janones até o centro da campanha presidencial foi uma das surpresas da eleição. Com linguagem própria e forte presença nas redes, o deputado conquistou protagonismo na estratégia digital petista e se tornou um dos personagens da reeleição. (Clique aqui)
O general de Lula
Lula agradeceu publicamente a André Janones e o chamou de "nosso general" pelo trabalho de mobilização nas redes. O deputado se tornou uma das principais vozes digitais da campanha, com atuação intensa na reta final.
As redes venceram. E agora?
Lula reconheceu o peso da mobilização digital em sua vitória, mas manteve a defesa da regulamentação das plataformas. O presidente também criticou o que chamou de interferência externa no processo eleitoral. O desafio será conciliar a força política das redes com as regras que pretende estabelecer para elas.
Um novo jeito de governar?
Ao comemorar a vitória, Lula prometeu mudar a forma de conduzir o governo, ampliar a participação popular nas decisões e dar mais espaço à comunicação digital. O presidente disse que a campanha lhe ensinou muitas lições. A partir de janeiro, terá quatro anos para mostrar quais foram.
O recado de Alckmin
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que Lula "salvou a democracia brasileira pela segunda vez". Ao parabenizar o presidente, prometeu trabalhar com humildade e responsabilidade nos próximos quatro anos.
Vitória sem trégua
Mesmo depois da reeleição, Lula voltou a atacar Flávio Bolsonaro, a quem chamou de "representante genuíno do milicianismo desse país", sem apresentar provas. O presidente disse ter ficado constrangido nos debates e classificou o resultado como uma derrota da mentira e do negacionismo
O mundo cumprimenta
Líderes da América Latina parabenizaram Lula pela reeleição. Presidentes e autoridades de Colômbia, México, Bolívia, Cuba e Uruguai destacaram a democracia, a integração regional e a continuidade das relações com o Brasil.
O novo mapa dos governadores
O Brasil também conhece os 27 governadores eleitos em 2026. A maioria venceu no primeiro turno, enquanto seis disputas foram decididas no domingo. Entre os eleitos estão Tarcísio de Freitas, Cleitinho, Sergio Moro e Omar Aziz. No Rio de Janeiro, uma decisão da Justiça Eleitoral alterou o resultado e garantiu a vitória de Douglas Ruas. Confira a lista completa. (Clique aqui)
A hora da virada
"Atenção, minha gente! A hora da virada!" Foi assim que Janones comemorou o momento em que Lula ultrapassou Flávio na apuração. O vídeo divulgado por Rafael Fonteles mostra também Camilo Santana celebrando a mudança no placar. Naquele instante, com 72% das urnas apuradas, Lula tinha 50,97% dos votos válidos.
Um de cada vez
Depois da vitória, Janones publicou vídeo da comemoração de Lula e provocou quem duvidou do resultado: "Onde tá sendo formada a fila para os que duvidaram de mim pedirem desculpas?". A fila, pelo visto, é uma das poucas estatísticas da eleição que ainda não foram contabilizadas.
Minas é maior
Deputados governistas comemoraram a reeleição com um recado a Nikolas Ferreira: "MG é maior que você". O vídeo, compartilhado por Dandara, contou com Sâmia Bomfim, Guilherme Cortez e o ativista Thiago Ávila
A pesquisa e a urna
Dos dez levantamentos de votos válidos divulgados na véspera da eleição, nove mostravam Flávio numericamente à frente. Apenas um apontava vantagem para Lula. O resultado contrariou essa tendência e reacendeu o debate sobre a capacidade das pesquisas de captar mudanças na reta final.
Um abraço em Minas
Antes mesmo da divulgação do resultado, Cleitinho incentivou apoiadores de Lula e Flávio a se abraçarem durante discurso em Minas Gerais. O governador eleito defendeu a convivência entre adversários políticos e prometeu trabalhar com o presidente escolhido nas urnas.
Nem o Timão escapou
Lula encontrou tempo para provocar até o Corinthians, seu time do coração. Ao comentar a sequência de derrotas do clube, comparou o desempenho à família Bolsonaro: "Tá parecendo o Bolsonaro, só perde, porra". A eleição acabou, mas as provocações seguem em campo.
O novo começo
Na sexta-feira, encerramos este informativo dizendo que, quando voltássemos, o Brasil já teria escolhido seu presidente. Voltamos. E que fim de semana. Tivemos votação prorrogada, apuração interrompida, virada no placar, pesquisas contrariadas, comemorações, contestações e uma quantidade de acontecimentos suficiente para preencher várias edições. Por aqui, acompanhamos tudo de perto, com a velha combinação de café, atenção e aquela desconfiança saudável que o jornalismo exige. A eleição terminou, mas o trabalho não. O resultado responde quem venceu. Não responde como será o próximo governo, o comportamento da oposição, a relação com o Congresso nem o destino de um país que chega ao dia seguinte ainda dividido. Essas respostas serão construídas daqui para a frente. E estaremos aqui para contá-las..
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