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55ª Ciranda Cultural de Prendas consagra talentos do tradicionalismo gaúcho em São Miguel das Missões - 29/05/2026

A 55ª Ciranda Cultural de Prendas definiu as novas representantes do tradicionalismo gaúcho nas categorias adulta, juvenil e mirim. O evento, realizado em São Miguel das Missões, também reforçou a importância histórica e cultural da cidade missioneira, reconhecida internacionalmente como Patrimônio Mundial da Humanidade.
Na categoria adulta, o título de 1ª Prenda do Rio Grande do Sul ficou com Luiza Berger Von Ende, do DTG Noel Guarany, da 13ª Região Tradicionalista, de Santa Maria. A 2ª colocação foi conquistada por Luiza Tormes, do CTG Sangue Nativo, da 22ª RT, de Parobé. Já a 3ª Prenda Estadual é Luisa Tormöhlen, do CTG Sentinela do Rio Grande, da 20ª RT, de Independência.
Na categoria juvenil, Dara Montagna Neto, do CTG Mata Nativa, da 12ª RT, de Canoas, conquistou o primeiro lugar. Yasmin Andrade Sauer, do Centro Nativista Boitatá, da 3ª RT, de São Borja, ficou com a segunda colocação. Izabelly Borges Albrecht, do CCN Piazito Carreteiro, da 9ª RT, de Ijuí, obteve o terceiro lugar.
Entre as prendas mirins, Julia Fritzen da Silva, do CTG Rodeio da Querência, da 28ª RT, de Frederico Westphalen, conquistou o título máximo. Ana Clara Kerber, do CTG Cezimbra Jaques, da 20ª RT, de São Martinho, ficou em segundo lugar. Sophia Schleder Scapin, do GTCN Velha Carreta, da 25ª RT, de Caxias do Sul, encerrou o pódio da categoria. Com o resultado final, Santa Maria foi confirmada como sede da 56ª Ciranda Cultural de Prendas, que ocorrerá em 2027.
 
SÃO MIGUEL DAS MISSÕES E O RECONHECIMENTO MUNDIAL
Além de sediar um dos maiores eventos culturais do tradicionalismo gaúcho, São Miguel das Missões possui reconhecimento internacional pela relevância histórica de seu patrimônio missioneiro.
O município entrou para a lista de Patrimônio Mundial da Humanidade em 1983, quando a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) inscreveu o sítio arqueológico de São Miguel Arcanjo entre os patrimônios culturais mundiais. O reconhecimento integra o conjunto brasileiro às reduções argentinas de San Ignacio Mini, Santa Ana, Loreto e Santa María La Mayor, formando um importante circuito histórico e cultural transfronteiriço.
O local já havia sido tombado como patrimônio nacional em 1938, após visita do arquiteto Lucio Costa aos remanescentes dos Sete Povos das Missões. O relatório elaborado por ele garantiu a preservação do sítio histórico. Em 1940, foi inaugurado o Museu das Missões, também projetado por Lucio Costa, destinado à preservação de esculturas sacras e objetos históricos resgatados das antigas reduções jesuíticas.
 
A HISTÓRIA DAS REDUÇÕES JESUÍTICAS
A história da redução de São Miguel Arcanjo teve início em 1632, com a fundação realizada pelos padres jesuítas Pablo Benevidez e Cristóvão de Mendonza. O povoado acabou abandonado em 1640 devido aos ataques de bandeirantes paulistas, sendo posteriormente reorganizado em 1687.
A construção da igreja barroca iniciou em 1735, sob responsabilidade do arquiteto jesuíta italiano Gian Battista Primoli, inspirado na Igreja de Gesù, em Roma. A estrutura foi erguida em pedra arenito pelos próprios indígenas guaranis, em um sistema de trabalho coletivo que unia técnicas europeias e conhecimentos tradicionais indígenas. No auge das reduções jesuíticas, algumas comunidades missioneiras chegaram a reunir mais de 7 mil habitantes no século XVIII. Até hoje, durante obras de preservação e restauração, fragmentos de esculturas sacras e objetos utilizados pelos antigos guaranis continuam sendo encontrados entre as ruínas históricas.

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