COLUNISTAS
16/01/2026
INÍCIO DO GAUCHÃO REPETE UM ROTEIRO JÁ CONHECIDO
O Campeonato Gaúcho mal começou e, mais uma vez, o roteiro parece escrito antes mesmo da bola rolar. Na rodada de abertura, apenas a dupla Grenal venceu seus jogos. Um dado simples, mas que diz muito sobre a desigualdade estrutural do futebol estadual. Com poucos dias de trabalho, em condições longe do ideal, Grêmio e Internacional já se mostram naturalmente superiores aos clubes do interior - e isso não chega a surpreender ninguém.
O Grêmio venceu utilizando uma base do time principal, mesmo ainda em fase inicial de preparação. Pouco treino, ajustes em andamento e, ainda assim, desempenho suficiente para confirmar o favoritismo. O Internacional seguiu caminho semelhante: venceu sem sequer utilizar força máxima, com elenco alternativo e antes mesmo do novo treinador assumir oficialmente o comando da equipe em competições oficiais. São realidades completamente distintas convivendo no mesmo campeonato.
Dificilmente alguma outra equipe conseguirá, ao longo da competição, fazer frente de maneira consistente à Dupla Grenal. Em alguns jogos pontuais, pode até haver equilíbrio, mas o abismo técnico, financeiro e estrutural aparece cedo ou tarde. Para Grêmio e Inter, o Gauchão acaba servindo muito mais como um acúmulo de jogos no calendário do que como um torneio realmente desafiador. Ainda que seja, na prática, o único título ao alcance, a competição está longe de ser atrativa sob o ponto de vista esportivo.
Para os clubes do interior, o cenário é ainda mais ingrato. Submetidos a um calendário curto, mal distribuído e dependente de um ou dois jogos de grande visibilidade, eles sobrevivem de migalhas. Muitas vezes, um confronto contra Grêmio ou Inter termina em goleada, seguida de pressão interna, demissão de treinador e frustração da torcida. Depois disso, resta um longo ano vazio.
Todo ano o discurso se repete. Todo ano os problemas são conhecidos. E, ainda assim, os clubes aceitam. Enquanto o interior se contentar com pouco, nada muda. A dupla Grenal segue brigando pelo único título disponível, e o futebol regional permanece estagnado, preso a um modelo que já deu inúmeras provas de esgotamento.
LAGOA FUTSAL ADIA APRESENTAÇÃO E EXPÕE CENÁRIO DE INCERTEZAS PARA 2026
O Lagoa Futsal adiou oficialmente a apresentação do elenco e o início dos treinamentos para a temporada de 2026. A data, inicialmente prevista para o dia 19 de janeiro, foi remarcada para 2 de fevereiro, decisão que reflete um cenário cada vez mais comum entre os clubes do futsal estadual: a insegurança financeira no começo do ano esportivo.
Segundo a direção do Lagoa Esporte Clube, a mudança está diretamente ligada às dificuldades na arrecadação de recursos e ao atraso no recebimento de verbas que compõem o orçamento da temporada. O clube segue trabalhando nos bastidores para garantir os valores necessários, mas ainda depende da aprovação de projetos de incentivo governamentais para confirmar, de forma definitiva, o planejamento financeiro de 2026.
Mesmo com a continuidade das tratativas, a projeção interna já aponta para uma possível queda no volume total arrecadado em relação à temporada anterior. Esse cenário obriga a direção a adotar uma postura mais cautelosa, avaliando cortes, economia de recursos e até uma redução no nível de investimentos inicialmente projetado para o ano. É um ajuste duro, mas tratado como necessário para preservar a saúde financeira do clube a médio e longo prazo.
De acordo com o presidente Edeivison Vigo, essa não é uma realidade isolada. Muitos clubes do Rio Grande do Sul enfrentam dificuldades semelhantes neste início de temporada, reflexo direto da instabilidade econômica vivida no país. A incerteza afeta patrocinadores, repasses públicos e até o planejamento de competições, tornando o ambiente esportivo ainda mais desafiador para projetos que dependem de múltiplas fontes de financiamento.
Apesar das indefinições, o Lagoa Futsal mantém seus objetivos esportivos. O clube projeta a participação na Copa Santo Ângelo, onde defenderá o título conquistado na última edição. Já no calendário da Liga Gaúcha de Futsal, o primeiro compromisso confirmado é a Supertaça Farroupilha, prevista para iniciar no dia 15 de março, embora o local da disputa ainda não tenha sido definido. As próximas semanas serão decisivas. Entre ajustes, negociações e reavaliações, o Lagoa Esporte Clube trabalha para garantir as estruturas e manter um projeto competitivo em 2026.
ERECHIM NO CENTRO DO FUTSAL NACIONAL EM FEVEREIRO
Fevereiro de 2026 já tem endereço certo no calendário do futsal brasileiro. A Confederação Brasileira de Futsal confirmou Erechim como sede da Supercopa Masculina de Futsal, competição que abre oficialmente a temporada nacional e que carrega um peso esportivo enorme: o campeão garante a vaga do Brasil na próxima edição da Copa Libertadores de Futsal.
Entre os dias 24 de fevereiro e 1º de março, o Caldeirão do Galo vai receber seis clubes que representam diferentes regiões do país e que chegam credenciados por títulos e campanhas expressivas.
A lista de participantes mostra bem a diversidade e o nível da competição. Atlético Piauiense e Traipu levam a força do futsal nordestino. Chapecoense e JEC/Krona representam Santa Catarina, um dos estados mais tradicionais da modalidade. O Magnus, de São Paulo, dispensa apresentações, enquanto o Atlântico Erechim joga em casa e, naturalmente, carrega expectativas ainda maiores da torcida local.
Para Erechim, sediar a Supercopa é mais do que receber jogos. É reafirmar sua condição de praça consolidada do futsal brasileiro, capaz de organizar grandes eventos, mobilizar público e entregar estrutura à altura das principais competições do país. Não é a primeira vez que a cidade assume esse protagonismo - e dificilmente será a última.
COPA VERÃO DE CASEIROS VOLTA A MOVIMENTAR A REGIÃO
Começa neste final de semana mais uma edição da Copa Verão de Caseiros, evento que já se consolidou como o maior do calendário esportivo regional. Depois de alguns anos sem ser disputada, a competição voltou em 2025 e agora reaparece fortalecida. Muito além de uma simples disputa esportiva, a Copa Verão se transformou em um verdadeiro encontro de atletas, torcedores e famílias, reunindo gente de diferentes cidades do Rio Grande do Sul e também de Santa Catarina.
As disputas acontecem mais uma vez na estrutura do Clube União, que ao longo dos anos se adaptou para receber um volume expressivo de jogos e participantes. O Congresso Técnico foi realizado no começo da semana e definiu grupos, regulamentos e os primeiros confrontos. Com tudo ajustado, a bola começa a rolar na noite desta sexta-feira, dia 16. A programação segue até o dia 8 de fevereiro, quando acontecem as grandes finais, tradicionalmente com público recorde.
Os números impressionam. Ao todo, são 46 equipes e mais de 800 atletas envolvidos diretamente nas disputas. Na categoria Livre, disputada na areia, são 20 equipes. O futebol sete conta com 12 times na categoria Veteranos 35 anos e mais oito equipes na Veteranos 45. No feminino, seis equipes competem na areia, fortalecendo ainda mais a presença das mulheres no evento.
Além dessas categorias, a programação contempla disputas de base e o vôlei de areia, ampliando o alcance da competição e garantindo espaço para diferentes idades e perfis de atletas. É justamente essa diversidade que faz da Copa Verão de Caseiros um evento diferenciado, capaz de unir competição, lazer e integração regional.
Mais uma vez, Caseiros se prepara para ser o centro esportivo da região por quase um mês, com jogos diários, grande circulação de pessoas e um ambiente que já virou marca registrada do verão esportivo no norte do Estado.


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