COLUNISTAS

16/01/2026

O PL DE LAGOA VERMELHA 
E O BOLSA FAMÍLIA
Realizamos nesta semana, entrevista com o presidente do PL de Lagoa Vermelha, Alvício José Teles. Ao ser questionado sobre o Bolsa Família e a atuação do Partido Liberal na Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social, o presidente e chefe de Gabinete da administração municipal, Alvício José Teles, apresentou uma posição firme, alinhada ao discurso histórico da legenda sobre políticas sociais e geração de oportunidades.
Alvício reconheceu a importância dos programas de transferência de renda, mas defendeu que eles não podem se tornar permanentes nem substituir políticas públicas voltadas ao trabalho e à autonomia das famílias.
Segundo o dirigente, o papel do poder público deve ser o de criar condições para que as pessoas ingressem no mercado de trabalho, reduzindo gradualmente a dependência de auxílios. “O que nós podemos fazer é oferecer trabalho. Muitas vezes é difícil, nem todos aceitam, mas é esse o caminho”, afirmou.
 
DESENVOLVIMENTO SOCIAL E 
LIMITES DA ATUAÇÃO MUNICIPAL
Alvício explicou que, embora o PL esteja à frente da Secretaria Municipal do Desenvolvimento Social, há limites legais claros quanto à gestão do Bolsa Família. Ele lembrou que o programa é federal e que o município não possui autonomia para suspender ou modificar benefícios de forma unilateral.
De acordo com ele, a proposta original do programa previa que o auxílio fosse temporário, funcionando como uma ponte até a reinserção do beneficiário no mercado de trabalho, o que, na sua avaliação, acabou não se consolidando ao longo dos anos.
 
OFERTA DE TRABALHO COMO ALTERNATIVA
O presidente do PL ressaltou que a Secretaria do Desenvolvimento Social tem buscado, dentro de suas possibilidades, estimular a oferta de trabalho e oportunidades, mas reconheceu que o desafio é grande. Para Alvício, o município pode orientar, encaminhar e incentivar, mas não pode obrigar ninguém a aceitar uma vaga.
Ele também citou exemplos de gestores que tentaram impor condicionantes mais rígidas ao programa e acabaram enfrentando sanções, o que, segundo ele, demonstra as limitações enfrentadas pelos municípios nesse tema.
 
POSIÇÃO DO PL: ASSISTÊNCIA 
COM RESPONSABILIDADE
Na avaliação de Alvício José Teles, políticas sociais são necessárias, especialmente em momentos de vulnerabilidade, mas precisam estar associadas a ações de capacitação, trabalho e geração de renda. Para ele, a assistência deve ser um instrumento de apoio temporário, e não um fim em si mesma.
“O que nós defendemos é ajudar quem precisa, mas também mostrar o caminho do trabalho. Só auxílio não resolve”, afirmou.
 
CENÁRIO LOCAL E DESAFIOS FUTUROS
Alvício lembrou que Lagoa Vermelha possui um número expressivo de famílias beneficiadas por programas sociais, o que exige atenção constante da gestão pública. Segundo ele, o desafio da Secretaria do Desenvolvimento Social é equilibrar o atendimento às demandas imediatas com políticas que promovam emancipação social a médio e longo prazo.
Para o presidente do PL, esse debate deverá ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, especialmente com a aproximação das eleições de 2026, quando temas como assistência social, emprego e modelo de Estado estarão novamente no centro das discussões. A entrevista completa, com outros assuntos, poderá ser conferida nesta edição.
 
PROGRESSISTAS EM EBULIÇÃO: UNIDADE 
EM DISCURSO, TENSÃO NA PRÁTICA
A divulgação da Carta Aberta assinada por históricas lideranças do Progressistas do Rio Grande do Sul escancara um momento de forte tensão interna no partido. O documento, subscrito por ex-governadores, senadores, deputados federais e estaduais, cobra algo que sempre foi marca do PP gaúcho: unidade, diálogo e decisões colegiadas.
Na prática, porém, o texto deixa claro que essa unidade está sob risco.
 
CARTA ABERTA E O RECADO POLÍTICO
A carta questiona de forma direta a decisão do presidente estadual do Progressistas, deputado federal Covatti Filho, de convocar, de maneira unilateral, uma reunião deliberativa do Diretório Estadual para o dia 20 de janeiro, sem deliberação prévia da Comissão Eleitoral criada justamente para tratar das eleições de 2026.
Mais do que um questionamento administrativo, o gesto é interpretado como rompimento do pacto interno de construção coletiva, algo sensível em um partido que sempre se orgulhou da pluralidade, mas também da coesão.
 
CANDIDATURA PRÓPRIA 
COMO PONTO CENTRAL
Um dos trechos mais fortes da carta reafirma que a decisão até aqui construída é a de o Progressistas apresentar candidatura própria ao Governo do Estado em 2026. Para os signatários, esse caminho deve ser preservado e aprofundado, não atropelado por decisões isoladas.
Ao recusarem participação na reunião convocada, as lideranças afirmam agir justamente para evitar um racha irreversível, defendendo um calendário amplo de debates pelo interior do Estado, ouvindo bases, prefeitos, vereadores e delegados.
 
COVATTI FILHO E A LIGAÇÃO 
COM LAGOA VERMELHA
No centro dessa controvérsia está Covatti Filho, presidente estadual do PP, que possui forte identificação política com Lagoa Vermelha, município onde recebeu 4 mil votos na eleição de 2022 - uma votação expressiva e simbólica.
Essa ligação torna os desdobramentos estaduais ainda mais relevantes em nível local, pois qualquer desgaste na cúpula do partido inevitavelmente repercute nas bases municipais.
 
O EPISÓDIO DA CPMI DO BANCO MASTER
É impossível dissociar o atual clima interno de episódios recentes que geraram mal-estar dentro do Progressistas, especialmente em Lagoa Vermelha. Um deles foi a cobrança pública feita pela vereadora Charise Bresolin (PP), que questionou, via redes sociais, por que Covatti Filho ainda não havia se manifestado favoravelmente à CPMI do Banco Master.
Dias depois, o deputado divulgou nota anunciando concordância com a abertura da CPMI. Ainda assim, o episódio deixou marcas.
 
REPERCUSSÕES INTERNAS 
E DESCONFORTO LOCAL
A cobrança pública gerou desconforto dentro do próprio partido. O ex-vereador Gabriel Vieira, integrante do Diretório Executivo Municipal do PP em Lagoa Vermelha, chegou a se manifestar afirmando que as declarações da vereadora demonstravam, de certa forma, uma ofuscação à família Covatti, tradicional no Progressistas gaúcho.
O episódio expôs divergências internas e evidenciou que nem sempre há alinhamento automático entre discurso, estratégia e relações internas, mesmo em um partido historicamente disciplinado.
 
UM PARTIDO GRANDE, MAS 
LONGE DA UNANIMIDADE
O que se vê, tanto no cenário estadual quanto no reflexo local, é um Progressistas forte, numeroso e protagonista, mas longe de uma unanimidade interna. A disputa por espaço, protagonismo e rumo eleitoral para 2026 é intensa - e tende a se acirrar nos próximos meses.
A carta aberta é, ao mesmo tempo, um alerta e um pedido: que o partido retome o diálogo, evite decisões unilaterais e encontre, pela via da maioria e da escuta, um caminho que preserve sua força histórica.
Unidade, neste momento, deixou de ser apenas um valor retórico. Passou a ser um desafio político concreto.
 
LIDERANÇAS E BASTIDORES 
DO PROGRESSISTAS
A carta aberta divulgada pelo Progressistas do Rio Grande do Sul reúne um conjunto expressivo de lideranças que marcaram - e ainda marcam - a trajetória do partido no Estado. Entre os signatários estão o ex-governador Jair Soares; o presidente de honra do PP-RS, Celso Bernardi; o senador Luis Carlos Heinze; os deputados federais Afonso Hamm e Pedro Westphalen, que ocupam, respectivamente, a primeira e a segunda vice-presidências estaduais da sigla; além do líder da bancada do partido na Assembleia Legislativa, deputado estadual Marcus Vinícius de Almeida.
O documento também conta com a assinatura de parlamentares com passagem pela presidência da Assembleia Legislativa, como Frederico Antunes, Ernani Polo e Adolfo Brito, além do deputado Issur Koch. Completam a lista ex-presidentes estaduais do Progressistas, como Jerônimo Goergen e Pedro Bertolucci, o suplente de senador Irineu Orth, o ex-presidente da Assembleia Legislativa Otomar Vivian, o ex-deputado federal Fetter Júnior, além de representantes das bases municipais, como Elton Barreto, presidente da Associação dos Prefeitos do PP-RS, e Silomar Garcia, presidente da Associação dos Vereadores do PP-RS. Também subscrevem a carta suplentes de mandatos federais e estaduais, reforçando o peso político e simbólico do documento.
Nos bastidores, conforme relatos do ex-vereador Gabriel Vieira, o episódio evidencia uma disputa interna que ultrapassa o debate formal. Estão em lados distintos o presidente estadual do partido, Covatti Filho, e lideranças como Ernani Polo, ambos mencionados como nomes com densidade política para disputar o Governo do Estado pelo Progressistas ou, a depender das articulações, integrar uma chapa majoritária em composição com outra agremiação partidária.
O cenário confirma que, apesar de sua força histórica e capilaridade no Rio Grande do Sul, o Progressistas vive um período de intenso debate interno e ausência de consenso sobre os rumos de 2026. A carta aberta surge, assim, como um instrumento de pressão política e, ao mesmo tempo, como um chamado à recomposição interna, sob pena de a disputa antecipada comprometer a unidade partidária no próximo ciclo eleitoral.
 
SILÊNCIO DO PP LOCAL E
 MANIFESTAÇÃO ISOLADA
Por fim, cabe registrar que, até o momento, o Progressistas de Lagoa Vermelha, partido que mantém relação direta com a presidência estadual da sigla, não se manifestou oficialmente nem sobre o episódio envolvendo a vereadora Charise Bresolin e a CPMI do Banco Master, nem sobre a Carta Aberta divulgada por lideranças do PP gaúcho.
Também chama atenção o fato de que a manifestação do ex-vereador Gabriel Vieira ocorre, até aqui, de forma isolada, sem que haja um posicionamento público institucional do diretório municipal. O silêncio da estrutura partidária local, diante de um cenário de tensão interna no Estado, sugere cautela e expectativa em relação aos próximos movimentos da direção estadual, enquanto o Progressistas observa os desdobramentos antes de assumir formalmente um lado em um debate que tende a se intensificar na corrida eleitoral de 2026.
 
PARTIDOS E ELEIÇÕES 2026
Expectativa nos bastidores da política lagoense para saber qual será a movimentação dos partidos menores em Lagoa Vermelha visando o pleito deste ano. Na lista, PSD, Republicanos e União Brasil. Todos de direita.
 
TROFÉU IMPRENSA 2026
A 26ª edição do Troféu Imprensa, promoção da NG Revista, vai acontecer no dia 11 de abril. Mais uma festa valorizando nossa gente.

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