COLUNISTAS

01/05/2026

Fim da escala 6x1 ganha força no Congresso 

A discussão sobre o chamado "fim da escala 6x1" ganhou força no Congresso e no debate público, mas o rótulo talvez diga menos do que deveria. Ao focar na lógica de dias trabalhados e descansados, o termo acaba obscurecendo o ponto central da proposta: a redução da jornada total de trabalho no Brasil.
Na prática, o que está em jogo é uma mudança mais simples, e ao mesmo tempo mais profunda, do que parece: sair do atual padrão de 44 horas semanais para 40 horas, sem redução de salário.
Trata-se de um movimento que dialoga com a própria história das relações de trabalho no país. A jornada de 44 horas foi consolidada na Constituição de 1988, reduzindo o limite anterior de 48 horas semanais, vigente desde a Consolidação das Leis do Trabalho. Agora, quase quatro décadas depois, discute-se um novo ajuste nesse mesmo eixo: tempo de trabalho.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou na terça-feira (28) a escolha do deputado Alencar Santana (PT-SP) para presidir a comissão especial que discutirá as propostas de redução da escala 6x1. O deputado Leo Prates (Republicanos-BA) foi designado relator.
A Comissão Especial ficará responsável por analisar o mérito das propostas e definir pontos como carga horária, modelo de transição e eventuais compensações.
O colegiado será composto por 38 membros titulares e 38 suplentes, sendo uma das vagas destinada a uma bancada que não tenha atingido o coeficiente partidário necessário para integrar a comissão.
A expectativa é de que o relatório seja elaborado e votado ainda no próximo mês, para que a matéria possa seguir ao plenário.

 

Mais espaço para as mulheres no poder
Participantes de um seminário na Câmara dos Deputados defenderam que o Brasil avance para um modelo de reservas de cadeiras para garantir que as mulheres deixem de ser apenas “convidadas” e passem a ser “donas da casa” nos espaços de poder. A ideia conduziu a fala de deputadas e estudiosas no evento realizado pela Secretaria da Mulher terça-feira desta semana.
O encontro debateu os 30 anos da reserva de gênero nas eleições municipais de 1996 e os avanços ocorridos desde então. Hoje, a Lei das Eleições (Lei 9.504/97) estabelece percentual mínimo fixo de 30% e máximo de 70% para candidaturas de cada sexo nas disputas proporcionais (deputados federais, estaduais e vereadores).
A deputada Iza Arruda (MDB-PE), coordenadora-geral do Observatório Nacional da Mulher na Política, abriu o evento destacando que a legislação atual é apenas o começo. “As cotas foram os nossos primeiros passos. Mas não podem ser o nosso teto. Precisam ser o nosso piso para continuarmos avançando”, afirmou. Segundo ela, o objetivo é alcançar uma democracia plena, onde as cadeiras efetivas sejam ocupadas proporcionalmente por homens e mulheres.
Reforçando a visão, a deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), uma das coordenadoras da bancada feminina na Câmara, defendeu que o Brasil siga exemplos como o do México, que adota a paridade como regra. “Não queremos estar na foto apenas. Queremos estar na mesa de decisão”, disse a parlamentar, lembrando que a dificuldade de captação de recursos e a ausência de reserva de assentos impedem que os 30% de candidaturas se convertam em 30% de eleitas.
Hoje, as mulheres ocupam apenas 18% da Câmara.
 
Enfrentamento da violência contra a mulher
Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou um conjunto de oito projetos. Entre as propostas duas se destacam por tratar diretamente do enfrentamento à violência contra a mulher com foco na prevenção e no fortalecimento da rede de apoio às vítimas.
Assembleia do RS aprova projeto de autoria do deputado Gaúcho da Geral (PP), que institui o “RS Por Elas” , iniciativa que prevê a oferta de cursos de autoproteção. O público-alvo são mulheres em situação de violência doméstica que já estejam em atendimento por delegacias especializadas ou órgãos semelhantes.
 
Agro tem boas perspectivas de crescimento
As perspectivas para a economia do Rio Grande do Sul em 2026 indicam crescimento da agropecuária, impulsionado, principalmente, pela maior produção de soja e milho. Apesar da revisão para baixo da previsão inicial de supersafra pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção de soja deve alcançar 18,3 milhões de toneladas, quantidade 34,6% superior à de 2025. A colheita de milho deve crescer 21,8%, reforçando a contribuição do setor para o desempenho da economia estadual. 
A análise integra o Boletim de Conjuntura de abril de 2026, elaborado pelo governo do Estado, por meio do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). O material aponta o avanço da produção agrícola após um período de retração associado a eventos climáticos. No quarto trimestre de 2025, a agropecuária já havia registrado crescimento de 16,7%, indicando o início de um movimento de retomada que se projeta para 2026.

 

Anotações

Lula e Flávio Bolsonaro aparecem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, segundo pesquisa BTG/Nexus. O presidente marca 46%, contra 45% do senador, dentro da margem de erro.
O voto consolidado em Lula e Flávio Bolsonaro reduz o espaço para uma candidatura alternativa em 2026. Mesmo com desejo por outro nome, a terceira via ainda aparece dispersa e sem tração.
Antilulismo, economia e percepção sobre o custo de vida aparecem como obstáculos à reeleição de Lula. A desaprovação ao governo chega a 49%, segundo o levantamento BTG/Nexus.
Ao votar na troca de farpas entre deputados, Alexandre de Moraes criticou os ataques entre parlamentares - e contra o Judiciário - como estratégia de engajamento. Segundo o ministro, a lógica é simples: quanto mais confronto, mais visibilidade e "likes".
Um esquema bilionário de facilitação de contrabando e descaminho no Porto do Rio foi alvo de operação conjunta da Polícia Federal e da Receita Federal. Segundo a Receita, há suspeitas de irregularidades em quase 17 mil declarações de importação.
 
Para debater
No atual cenário político quais as chances de uma “terceira via” ser bem-sucedida?

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