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Quem degolou o maragato João Mariano Pimentel Filho? - 01/05/2026
Quem entra no cemitério público de Lagoa Vermelha se depara com o imponente túmulo do tenente João Mariano Pimentel Filho, o homem que, quando menino, foi sequestrado por indígenas, mas que não sobreviveu à Revolução Federalista de 1893. Acabou degolado. Foi assassinado em 1894, aos 52 anos de idade.
João Mariano era um sobrevivente. Em 1851 a propriedade da família foi atacada por indígenas coroados. João Mariano tinha apenas 9 anos de idade. Alguns de seus irmãos foram mortos e outros sequestrados. Ele e suas irmãs só regressaram sãos e salvos porque o Cacique Doble foi ajudar nas buscas.
João Mariano era um grande proprietário e pecuarista na região da Lagoa Vermelha. Tinha a patente de tenente da Guarda Nacional e era vinculado ao Partido Federalista. Mas ele nunca chegou a pegar em armas para fazer a revolução de 1893.
Um de seus filhos mais conhecidos foi o ex-prefeito de Lagoa, coronel Libório Pimentel, que dizia que o pai, mesmo federalista, se dava bem tanto com os republicanos quanto com os maragatos. Ajudava os dois lados quando passavam por sua propriedade. E este pode ter sido o seu maior erro da vida.
No seu inventário consta que ele morreu em -5 de novembro de 1894, mas na sua lápide consta 7 de setembro de 94.
Há um mistério sobre quem teria sido o autor da sua morte. A imprensa republicana de Porto Alegre acusava um maragato conhecido por Generoso Brabo por ter “degolado barbaramente” o tenente João Mariano. E olha que os dois eram federalistas...
Mas há uma outra versão. João Mariano teria sido, segundo escreveu o saudoso Demétrio Dias de Moraes, “preso na sua própria chácara por um grupo de bandidos da facção governista”, degolado às margens de um banhado e deixado seu corpo lá até ser identificado pelos vizinhos em razão de estar o cadáver, já em putrefação, com uma manta de lã usualmente utilizada pelo fazendeiro. Os autores teriam sido republicanos lagoenses.
A verdade é que a indagação sobre quem degolou João Mariano Pimentel persiste após mais de 130 anos desse crime bárbaro.
João Mariano deixou viúva Gertrudes Paulina de Almeida Pimentel e mais sete filhos. Ao lado do túmulo dele, no cemitério de Lagoa, está o de dona Gertrudes. A foto da lápide mostra ela vestida de preto, pois deve ter vivido de luto desde 1894, ano da morte do marido, até 1931, quando ela faleceu.


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