COLUNISTAS
Um texto do fundo do baú - 01/05/2026
O feriado da semana encurtou o tempo para postar a coluna na redação, por isso, me sirvo deste artigo de 1957, de Austregésilo de Athayde, quando membro da Academia Brasileira de Letras, com o título Reflexões Incômodas sobre o Natal:
“A ideia cristã do nascimento do filho de Deus em berço dos mais humildes, está sendo prejudicada pela vasta exploração mercantil. Ao mesmo tempo vamos incorporando aos hábitos brasileiros, formas de comemorações de outros países, com olvido e desprezo das nossas próprias, ao redor de seu encanto religioso.
O nosso Natal é agora americanizado, importa- se da Broadway. O Natal passou a ser um grande motivo, talvez o maior, para promoções de vendas para que o comércio explore os seus fregueses. Não é mais uma noite de silêncio. Não é uma noite de paz.
Luzes ofuscantes e de múltiplas cores tiram às ruas a serenidade. Tudo é feito com intenção mercenária, para que um grupo se locuplete, para que as vendas cresçam nos caixas dos comerciantes. A esse burburinho pagão junta-se a decadência progressiva do símbolo religioso.
Sim, é verdade que celebram os ofícios da meia noite; a Missa do Galo ainda é uma atração. Mas sente-se que o conteúdo místico da festa está sendo sobrepujado, ao mesmo tempo que se perdem as suas características tradicionais brasileiras; os presentes honoríficos desses Reis Magos estão tomando o lugar da cena dos pastores, humildes e ignorantes, guiados pela estrela misteriosa. Não sou eu que envelheço e mudo. É o Natal que se mercantiliza”.
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DE VOLTA AO PRESENTE - Já é notória a polarização de candidatos que buscam conquistar o poder em outubro. Tem muita gente voando como borboletas em todas as direções. Mas, maiores atenções focam na eleição para presidente, claro, talvez o pleito mais importante da história do Brasil. É uma corrida muito louca, de um lado temos um candidato idoso, inquilino do Palácio do Planalto há quase vinte anos, que luta desesperadamente pela reeleição para se perpetuar no poder; na oposição, três candidatos bem mais jovens, até aqui, se apresentam para a difícil tarefa de enfrentamento, carregando novas ideias e métodos de governo compatíveis com os anseios do povo brasileiro. A tarefa é árdua, pois terão pela frente um candidato que está no poder, é gastador e tem a máquina na mão.
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E O ROMBO DOS CORREIOS - Só cresce, agora já registram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025. Isso que no ano passado os Correios foram autorizados a tomar um empréstimo de 12 bilhões; a violência em grandes centros assombra, a espera por cirurgias pelo SUS já são contadas em anos e exames de sangue simples são marcados para 2030. Tem mais, presos aguardam vaga nos poucos presídios dentro de viaturas, hospitais trabalham no limite, falta leitos... O assunto é chato, eu sei, mas infelizmente muitos do povo não tomam conhecimento desses fatos, isso não é bom. Mas é o que temos de momento, então vamos em frente. A coluna abraça os amigos Ede/Gerson Rodrigues e Magda/Evandro Xavier, é gente que lê a Folha.


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