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Aspectos da lÃngua indÃgena no Rio Grande do Sul - 10/04/2026
Os primeiros estudos dialetológicos no Rio Grande do Sul trouxeram importantes subsídios para o registro da língua portuguesa falada no Brasil. Até então, os trabalhos sobre o falar gaúcho apresentavam uma perspectiva voltada à dialetologia e à sociolinguística.
Segundo Sturza (2006), com o fim da Revolução Farroupilha, na metade do século XIX, o cenário intelectual tornou-se efervescente, com a publicação de estudos linguísticos em diversas áreas. Nesse período, começaram a surgir pesquisas sobre o vocabulário sul-rio-grandense, com o objetivo de registrar o léxico do falar gaúcho.
O primeiro vocabulário, conforme Laytano (1981), foi publicado por Antônio Álvares Pereira Coruja, em 1852, com o título Coleção de Vocábulos e Frases Usados na Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, reunindo expressões e termos utilizados pelos gaúchos. Coruja já destacava que o “linguajar gaúcho” recebeu influências espanholas e indígenas.
Contribuição linguística Índígena ao léxico gauchesco
Tupi-Guarani, Quéchua e Mapuche
• Gaúcho: do quéchua huacho (ou wacho): órfão
• Mate/mati: do quéchua: infusão com ervas
• Cuia: do tupi kuia: recipiente para líquidos
• Porongo: do quéchua puruncu
• Tchê: do mapuche/guarani chê: gente, íntimo
• Guri: do tupi-guarani: criança
• Piá: do tupi pi’a: filho(a)
• Chiru: do tupi xeirú: caboclo, indígena experiente
• Galpão: do quéchua galpuni: casa grande (também com influência tupi)
• Charque: do quéchua charki: carne salgada
• Chasqui: do quéchua chaski: mensageiro
• Carijo: estrutura de preparo da erva-mate (jirau)
• Barbacuá: do guarani: processo de secagem da erva-mate
• Bagual: do guarani mbagual: potro arisco
• Capão: do tupi: pequena mata isolada
• Chiri: do quéchua: frio
• Chiripá: do mapuche: vestimenta para proteção contra o frio
• Poncho: do mapuche: capa de proteção
• Bichará: do tupi: tecido de lã crua
• Pampa: do quéchua panpa: planície
Toponímia
Nomes de lugares, rios, cidades e regiões
• Guaíba: tupi: gua (enseada) + y (água) + ba (lugar)
• Caí: guarani: macaco
• Gravataí: guarani: gravatá (bromélia)
• Taquari: tupi: rio das taquaras (bambu)
• Uruguai: guarani: uru (pássaro) + gua (lugar) + y (água/ rio)
• Piratini: tupi: peixe barulhento
• Ipané: guarani: rio ruim para peixes
• Ibicuí: tupi: rio de água escura (yby terra + ku’i pó + y água)
• Inhanduí: guarani: rio com muitos peixes
• Quaraí: guarani: rio do sol
• Ibirocaí: tupi: rio barrento
• Itapitocaí: tupi: rio pedregoso
• Jacuí: tupi: rio dos jacus (ave arisca)
• Ibirapuitã: tupi: rio da madeira vermelha
Fontes: Dicionário Tupi-Guarani;
Dicionário Quéchua; Dicionário Mapuche;
Características da Língua Guarani;
Lengua Guaraní, el tesoro, de Ruiz de Montoya.


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