COLUNISTAS

10/04/2026

HEMODIÁLISE EM LAGOA VERMELHA GERA DEBATE E REAÇÃO àS CRÍTICAS
A sessão do Poder Legislativo de Lagoa Vermelha, realizada no dia 6 de abril, foi marcada por manifestações contundentes em torno da implantação do serviço de hemodiálise no município. O tema ganhou destaque após a entrega da primeira etapa da estrutura física junto ao Hospital São Paulo, ocorrida na semana anterior, com a presença do prefeito Eloir Morona, do vice-prefeito Alessandro Muliterno, lideranças regionais e do deputado estadual Ronaldo Santini.
O presidente da Câmara, Luiz Carlos Kramer, e o vereador Márcio Marques (Maninho) utilizaram a tribuna para defender o projeto, esclarecer dúvidas e reagir a críticas feitas, especialmente nas redes sociais.
 
KRAMER EXPLICA ETAPAS, REFORÇA PROCESSO E REBATE CRÍTICAS
Em sua manifestação, o presidente Luiz Carlos Kramer fez um resgate detalhado do processo que culminou na entrega da primeira etapa da hemodiálise. Ele destacou que a conquista não é fruto de uma única pessoa, mas de um esforço coletivo envolvendo diferentes lideranças e segmentos. Kramer enfatizou a complexidade técnica exigida para a implantação do serviço, citando a necessidade de uma estrutura completa, com instalações específicas como sistemas hidráulicos, oxigenação, esgoto, refrigeração e rigorosos padrões de assepsia.
Ao abordar as críticas de que estaria sendo inaugurada uma obra ainda não concluída, o presidente foi enfático ao esclarecer que o processo ocorre em etapas legais e obrigatórias:
• Primeira etapa: construção da estrutura física (já concluída); 
• Segunda etapa: aquisição das máquinas de hemodiálise; 
• Terceira etapa: contratação da empresa responsável pela operação, com equipe especializada. 
Segundo Kramer, a entrega da obra dentro do prazo foi determinante para garantir a liberação dos recursos estaduais, especialmente diante das restrições do período eleitoral.
 
“SE CANDIDATEM”: RESPOSTA DIRETA ÀS CRÍTICAS
Em tom firme, Kramer reagiu às críticas feitas por alguns setores da comunidade, especialmente nas redes sociais. Ele afirmou que muitas manifestações demonstram desconhecimento sobre os trâmites legais e técnicos de obras públicas. O presidente sugeriu que aqueles que apenas criticam busquem participar mais ativamente da vida pública, inclusive colocando seus nomes à disposição em eleições, como forma de compreender na prática as responsabilidades e exigências da gestão pública.
Sem citar nomes, também ironizou o baixo desempenho eleitoral de alguns críticos, reforçando a necessidade de respeito a quem está diretamente envolvido na construção de soluções para o município.
 
IMPACTO SOCIAL: FIM DAS VIAGENS EXAUSTIVAS
Kramer ainda destacou o impacto humano da implantação da hemodiálise em Lagoa Vermelha, lembrando o sofrimento de pacientes que atualmente precisam se deslocar até Passo Fundo, enfrentando longas viagens somadas a horas de tratamento. Para ele, a estrutura local representa mais dignidade, qualidade de vida e alívio para dezenas de famílias.
 
POSTÃO COMO REFERÊNCIA DE INVESTIMENTO EM SAÚDE
Em outro momento de sua fala, Kramer resgatou a construção do chamado “postão” como exemplo de investimento estruturante na saúde pública do município. Ele lembrou que a iniciativa surgiu ainda quando o atual prefeito Eloir Morona atuava como secretário, destacando a necessidade de um espaço adequado para desafogar o Hospital São Paulo. O presidente também fez questão de reconhecer a importância da articulação política na captação de recursos, citando a participação da então senadora Ana Amélia Lemos, responsável por viabilizar grande parte dos investimentos destinados à obra.
Segundo Kramer, o “postão” já demonstra, na prática, os benefícios de investimentos bem planejados - lógica que, conforme destacou, também se aplica à implantação da hemodiálise.
 
MÁRCIO MARQUES DESTACA AVANÇO E COBRA MAIS EMPATIA
Na sequência, o vereador Márcio Marques (Maninho), do PL, se manifestou, parabenizando todos os envolvidos e reforçando a importância da conquista. Ele destacou que apenas quem acompanha de perto o processo compreende a dimensão do avanço e criticou a postura negativa de parte da comunidade, afirmando que esse comportamento prejudica o desenvolvimento do município.
         Maninho também fez um apelo por mais empatia, lembrando o sofrimento de quem depende do tratamento fora da cidade.
 
DESABAFO E CRÍTICAS AO CENÁRIO NACIONAL
O vereador Márcio Marques ainda ampliou sua fala para o cenário político nacional, demonstrando indignação com casos de corrupção e defendendo punição rigorosa a envolvidos em irregularidades, independentemente de posicionamento político.
 
UM DEBATE QUE REFLETE EXPECTATIVA E RESPONSABILIDADE
As manifestações evidenciam que a implantação da hemodiálise, embora celebrada como um avanço histórico, também tem gerado debates. Enquanto lideranças reforçam o caráter técnico e gradual do processo, parte da comunidade demonstra ansiedade pela conclusão total do serviço - o que mantém o tema no centro das discussões locais.
 
PROJETO DE LEI DA MISOGINIA
Outro tema que ganhou destaque na sessão do Poder Legislativo de Lagoa Vermelha, realizada no dia 6 de abril, foi a manifestação da vereadora Charise Bresolin (Progressistas), que utilizou a tribuna para abordar o projeto de lei que trata da criminalização da misoginia no país.
A fala ocorreu em resposta direta ao vereador Ariovaldo Carlos da Silva (PDT), que havia feito críticas à sua posição em sessão anterior. No entanto, no momento da manifestação, o parlamentar não se encontrava no plenário, fato lamentado pela vereadora logo no início de sua fala.
 
RESPOSTA DIRETA A ARIOVALDO E QUESTIONAMENTO DE “INCOERÊNCIA”
Charise afirmou que havia sido chamada de incoerente por defender as mulheres e, ao mesmo tempo, se posicionar contrária ao projeto de lei da misoginia. A partir disso, estruturou sua fala como uma resposta direta ao vereador.
Ela sustentou que é possível defender os direitos das mulheres sem concordar com a ampliação de tipificações penais que, segundo sua avaliação, podem gerar excessos. A vereadora também questionou se há coerência em apoiar uma legislação que, na sua interpretação, pode levar à criminalização de falas cotidianas, dependendo da forma como forem interpretadas.
 
EXEMPLO LOCAL ENVOLVENDO RANYERI É TRAZIDO AO DEBATE
Para reforçar seu argumento, Charise trouxe à tribuna um episódio ocorrido em legislatura anterior, envolvendo a então vereadora Marina Bussolotto e o vereador Ranyeri Bozza.
Segundo relatou, à época, a parlamentar manifestou-se publicamente sobre situações de constrangimento e desrespeito dentro da Câmara, inclusive com desdobramentos emocionais durante sessão. A vereadora também mencionou que familiares da ex-vereadora teriam se manifestado sobre o episódio, reforçando o impacto da situação.
A partir desse caso, Charise levantou um questionamento direto: caso a legislação proposta já estivesse em vigor naquele momento, qual seria o enquadramento jurídico da situação e quais seriam as consequências legais para o parlamentar envolvido.
 
QUESTIONAMENTOS SOBRE ALCANCE E INTERPRETAÇÃO DA LEI
Em sua análise, Charise destacou que o projeto prevê penas de dois a cinco anos de prisão, além de multa, com equiparação ao crime de racismo. Segundo ela, a ausência de critérios objetivos pode abrir margem para interpretações subjetivas, o que, na sua visão, representa risco de insegurança jurídica.
A vereadora apresentou exemplos de frases que, dependendo da interpretação, poderiam ser enquadradas como crime, reforçando sua preocupação com possíveis excessos na aplicação da lei.
 
DEFESA DAS MULHERES COM FOCO NO EQUILÍBRIO
Charise reforçou que sua posição não é contrária à proteção das mulheres, mas sim à forma como a proposta está estruturada. Ela destacou que a defesa dos direitos femininos deve ocorrer com equilíbrio e responsabilidade, evitando, segundo sua avaliação, a criação de mecanismos legais que possam gerar distorções ou penalizações desproporcionais.
 
CRÍTICAS AO CENÁRIO POLÍTICO E ÀS PRIORIDADES LEGISLATIVAS
A vereadora também ampliou sua fala para o cenário nacional, criticando o que considera incoerência de setores políticos ao defenderem determinadas pautas enquanto, segundo ela, não avançam em medidas mais rígidas contra crimes graves.
 
UM TEMA SENSÍVEL QUE SEGUE EM DEBATE
A manifestação da vereadora evidencia que o tema da criminalização da misoginia segue dividindo opiniões, tanto no plano nacional quanto no debate local. A discussão levada à tribuna demonstra que o assunto ainda demanda aprofundamento e diálogo, especialmente diante das diferentes interpretações sobre seus impactos jurídicos e sociais.

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