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Suzane debocha do país - 10/04/2026

Em 2002 um assassinato chocou o país: Manfred e Marísia von Richthofen, um casal de classe alta de São Paulo, foram encontrados, em sua cama, mortos com sinais de violência e brutalidade. Inicialmente suspeitou-se de um latrocínio, um roubo seguido de morte. Mas na verdade a filha do casal, Suzane, de 18 anos de idade, era quem tinha arquitetado, junto com seu namorado e o irmão deste, o cruel assassinato dos pais. Ela inclusive chegou a ir ao velório do casal e derramado lágrimas de crocodilo.
Obviamente que a Polícia desvendou os autores do crime e a motivação: a menina queria se livrar fisicamente dos pais para viver seu amor proibido com Daniel. Suzane, em particular, foi condenada a 39 anos de prisão. Hoje, transcorridos 24 anos desde o crime, ela está com 42 anos de idade e cumpre o restante da pena em regime aberto. No Brasil, parricidas ficam pouco tempo na cadeia, e com Suzane não foi diferente. Ela já está praticamente livre, leve e solta, já se casou e teve um filho. Um filho que não conhece seus avós maternos porque simplesmente Manfred e Marísia foram assassinados por sua própria filha.
Conforme informações do jornalista Ulisses Campbell, a Netflix se prepara para lançar um documentário em que Suzane, a assassina, é a personagem central. Ele assistiu em primeira mão a produção e uma coisa o chamou a atenção: em diversos momentos Suzane ri e solta gargalhadas. Em sua biografia, Ulisses, analisando os laudos psicológicos, pontuou que ela é considerada sedutora e manipuladora. E alguns psicólogos forenses dizem que ela beira a psicopatia.
Afora essa questão para saber o que exatamente Suzane é em termos de seu caráter e condição psicológica, o sorriso dela em um documentário que deve ter recebido muito dinheiro para protagonizar é um deboche para todo o país. Se ganhou dinheiro com ele, fica a impressão de que ter matado os pais compensou de alguma maneira. No Brasil o crime, em inúmeros casos, realmente compensa. E os criminosos, tempos depois, debocham da sociedade.
Os pais de Suzane tragicamente se foram, mas ela continua aí, na meia idade, vivendo intensamente a vida. Se este país fosse sério, e se as leis penais servissem como exemplo para que homicidas e parricidas fossem rigidamente punidos, ela deveria estar cumprindo prisão perpétua. Mas por aqui 39 anos de cadeia se transformam em alguns poucos em alguma penitenciária. E por bom comportamento, ou pelas brechas da lei, logos os piores criminosos são devolvidos à sociedade.

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