COLUNISTAS
PolÃticos em busca de oportunidades - 10/04/2026
O troca-troca partidário, que tecnicamente chamamos de migração partidária, está grande. Muitos deputados estaduais e federais gaúchos mudaram de partido na última semana, aproveitando a janela partidária prevista na lei. Ocorre, desde então, uma onda migratória como poucas vezes vista por aqui. Foi-se o tempo em que as lideranças do Rio Grande do Sul se mantinham por longo tempo - ou por toda a sua vida política - em uma única agremiação.
As razões para que um político com mandato mude de partido são várias. Em geral elas têm a ver com as chances de sobrevivência política. Se o político farejar que tem poucas chances de ser reeleito por um partido, ele sem muito pudor muda de sigla, buscando maximizar suas chances na eleição. Em tempos em que as direções partidárias estão com as guaiacas cheias (produto do fundão eleitoral), a promessa de mais recursos públicos na campanha também se torna argumento forte para justificar a mudança de agremiação.
Menos recorrentes são as migrações devido a questões ideológicas, quando, por exemplo, um político percebe que o seu partido se desviou do seu programa, buscando então outro que seja mais ideologicamente alinhado com seu pensamento.
A migração partidária é um problema endêmico do sistema político brasileiro. E ela mostra o quão frágil é o compromisso ideológico de nossa classe política. Quando a oportunidade surge, os políticos migram, como se a política fosse uma feira. São tantos partidos políticos no país que dá para escolher os que oferecem condições mais vantajosas. Assim, a política passa a se assemelhar a um grande mercado - e esta é, não por acaso, a percepção que a sociedade acaba tendo do nosso sistema de muitos partidos e pouca consistência ideológica.


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