COLUNISTAS

27/03/2026

MDB 60 ANOS: ENTRE A HISTÓRIA E O DESAFIO DA RETOMADA EM LAGOA  VERMELHA
Conversei com Ricardo Balen, uma das lideranças históricas do MDB em Lagoa Vermelha, com atuação também em nível estadual. Em um momento simbólico, em que o partido comemorou 60 anos de fundação no dia 24 de março, Balen faz uma análise direta, sem rodeios, sobre passado, presente e futuro da sigla.
 
INGRESSO NO MDB E INÍCIO DA TRAJETÓRIA
Ricardo Balen ingressou oficialmente no MDB em 1986, embora já atuasse como militante político anteriormente. Sua entrada no partido ocorreu a partir do convite de lideranças expressivas como Pedro Simon e José Paulo Bisol, durante um encontro na residência do ex-governador Sinval Guazzelli.
Desde então, afirma que nunca mais se afastou do partido, construindo uma trajetória marcada pela fidelidade partidária.
 
ATUAÇÃO ESTADUAL E PROJEÇÃO POLÍTICA
A experiência como assessor do ex-governador Sinval Guazzelli foi determinante para ampliar sua atuação política. Segundo Balen, esse período proporcionou conhecimento sobre o MDB em praticamente todas as regiões do Rio Grande do Sul, além de fortalecer sua relação com lideranças estaduais.
Essa vivência também refletiu na atuação local, especialmente em momentos importantes do partido em Lagoa Vermelha.
 
GESTÕES DE PAULO ANDRADEE CONTRIBUIÇÃO DO MDB
Ao relembrar a história do MDB no município, Balen destaca a primeira gestão do ex-prefeito Paulo Andrade como uma das mais marcantes, especialmente por ter sido conduzida sem coligações.
Já a segunda administração, embora também relevante, na sua avaliação sofreu interferências das alianças políticas. Ele mantém uma posição crítica em relação às coligações, ainda que reconheça que decisões coletivas precisam ser respeitadas.
O ex-dirigente também ressalta que o MDB sempre teve como característica o trabalho voltado às camadas mais humildes da população.
 
COLIGAÇÕES HISTÓRICAS E POSICIONAMENTO INTERNO
Um dos episódios mais emblemáticos da política local foi a união entre MDB e antigas forças como Arena/PDS. Na época, Balen relata que foi contrário à coligação, mas acabou acompanhando a decisão da maioria.
Para ele, esse tipo de movimento sempre gerou divergências internas e expôs diferentes visões dentro do partido.
 
AUSÊNCIA NA CÂMARA E NECESSIDADE DE RECONSTRUÇÃO
O MDB atualmente não possui representação na Câmara de Vereadores de Lagoa Vermelha. Para Balen, este é um dos pontos mais preocupantes da atualidade do partido.
Na sua avaliação, a reconstrução passa necessariamente pela retomada da militância de base, com presença nos bairros e maior proximidade com a população.
 
CRISE DE LIDERANÇAS E MUDANÇAS NA POLÍTICA
Ao analisar o cenário político atual, Balen é enfático ao afirmar que muitas lideranças qualificadas estão se afastando da política. Para ele, isso contribui diretamente para o enfraquecimento dos partidos.
Ele também observa que o MDB enfrenta dificuldades tanto no Estado quanto no município, especialmente pela falta de renovação e pelo surgimento de novas lideranças.
 
CENÁRIO NACIONAL E POSICIONAMENTO DO PARTIDO
Sobre o cenário nacional, Balen avalia que o atual governo carece de planejamento mais consistente e de ações concretas. Ainda assim, ressalta que o MDB segue apoiando, com a expectativa de que o país avance.
 
MDB NO ESTADO E A NECESSIDADE DE RENOVAÇÃO
Ao abordar o desempenho do partido no Rio Grande do Sul, Balen reconhece o legado de grandes lideranças e ex-governadores.
No entanto, aponta que o MDB vive um momento de dificuldade, especialmente pela ausência de lideranças capazes de retomar o protagonismo político.
 
REALIDADE LOCAL E ORGANIZAÇÃO PARTIDÁRIA
Em Lagoa Vermelha, segundo Balen, o partido ainda realiza reuniões, embora de forma esporádica. Ele aponta um certo isolamento político e reforça a necessidade de fortalecimento regional.
Destaca, ainda, a importância de o MDB voltar a ter representatividade com um deputado da região.
 
FALTA DE NOMES E DESAFIO DA RENOVAÇÃO
Questionado sobre possíveis lideranças capazes de reorganizar o partido no município, Balen é direto ao afirmar que, no momento, não há nomes consolidados.
Também descarta o retorno de figuras históricas, defendendo que o caminho passa pela renovação.
 
BASE, JUVENTUDE E RECONSTRUÇÃO
Ricardo Balen reforça a necessidade de união interna e de um reposicionamento estratégico do MDB.
Defende que o partido volte suas ações para a base da sociedade, priorizando o trabalho junto às comunidades mais humildes. Além disso, aponta a juventude como peçachave para a reconstrução partidária, destacando a importância de oferecer direção, propósito e espaço para novas lideranças.
 
CONTAS APROVADAS DO GOVERNO BONOTTO
Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul emitiu parecer favorável às contas do Executivo Municipal de Lagoa Vermelha referentes ao exercício de 2022, período da gestão do então prefeito Gustavo Bonotto, do Progressistas.
Na prática, trata-se de um reconhecimento técnico de que a condução administrativa atendeu aos critérios exigidos pelos órgãos de controle.
A decisão do TCE não é apenas formal. É resultado de análise de documentos, dados contábeis e cumprimento das exigências legais. Quando há aprovação, há o entendimento de que a gestão apresentou regularidade dentro dos parâmetros estabelecidos.
No mesmo processo, os administradores Eder Manfron Piardi e Valdemar Merib de Chaves também tiveram suas contas aprovadas, reforçando o cenário de regularidade na análise realizada pelo Tribunal. Eder e Vardão assumiram também o Executivo em 2022.
O processo agora segue para a Câmara de Vereadores, responsável pelo julgamento final. É nesse momento que o tema ganha também um componente político, além do caráter técnico já consolidado.
O fato concreto é um só: as contas de 2022, ainda sob a gestão de Gustavo Bonotto, passaram pelo crivo do Tribunal de Contas e receberam parecer favorável - um indicativo relevante dentro da análise da administração pública.
 
SANTINI DE VOLTA AO JOGO POLÍTICO
Um movimento importante no cenário político estadual: o lagoense Ronaldo Santini deixou o cargo de secretário estadual do Turismo do Rio Grande do Sul e retorna à Assembleia Legislativa, de olho na disputa pela reeleição em 2026 pelo Podemos.
A saída do Executivo não surpreende. Trata-se de um movimento natural dentro da estratégia eleitoral, visando manter presença política, articulação e visibilidade no Legislativo.
Santini construiu, ao longo dos anos, uma trajetória consolidada, com forte atuação em favor de Lagoa Vermelha e região. É notório o volume de recursos destinados ao município, além da sua capacidade de articulação junto ao governo estadual e também com parlamentares em nível estadual e federal.
No último pleito, foi o candidato a deputado estadual mais votado em Lagoa Vermelha, superando a marca de 6 mil votos - um desempenho expressivo que o coloca, novamente, em posição competitiva para 2026.
O desafio agora é claro: manter essa base sólida na região e, ao mesmo tempo, ampliar sua presença em outros municípios do Rio Grande do Sul. A disputa proporcional é intensa, e a manutenção de mandato exige estratégia, capilaridade e votos distribuídos.
Mesmo com serviços prestados e nome consolidado, eleição nunca é automática. Santini terá pela frente um cenário competitivo, com renovação e forte disputa entre parlamentares.
De volta à Assembleia, inicia um novo ciclo político - com o objetivo de transformar capital político em votos e garantir, mais uma vez, espaço no Parlamento gaúcho.
 
PROJETO “FICHA LIMPA” NA CÂMARA DE LAGOA VERMELHA
Tema que entra em pauta no Legislativo lagoense: tramita na Câmara Municipal um projeto que propõe a vedação da nomeação, para cargos em comissão e funções de confiança, de pessoas condenadas por crimes específicos.
Na prática, trata-se da chamada “Ficha Limpa Municipal”, aplicada à estrutura interna da Câmara de Vereadores.
O projeto é de autoria dos vereadores Márcio Marques, Cleon Piardi Piva, Viego Silva dos Santos, Ariovaldo Carlos da Silva, Clacir Francisco Bonatto e Ranyeri Berlatto Bozza.
A proposta estabelece critérios objetivos: ficam impedidas nomeações de pessoas condenadas por crimes contra a administração pública, crimes eleitorais com pena privativa de liberdade, lavagem de dinheiro, improbidade administrativa, entre outros. A regra também alcança casos de suspensão de direitos políticos ou perda de função pública.
Outro ponto relevante é a exigência de declaração formal e apresentação de certidões negativas no momento da nomeação, reforçando o controle interno do Legislativo.
A proposta tem delimitação clara: não atinge o Executivo, restringindo-se à Câmara Municipal, respeitando a autonomia entre os poderes.
A iniciativa segue uma tendência já adotada em outras cidades e se ancora no princípio da moralidade administrativa.
No campo político, o tema naturalmente ganha repercussão. Trata-se de um assunto sensível, com forte apelo junto à sociedade e que envolve diretamente a credibilidade das instituições.
Agora, o projeto entra no debate entre os vereadores, onde será analisado tanto sob o aspecto técnico quanto político.

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