COLUNISTAS
09/01/2026
2026: O ANO QUE DEFINE CAMINHOS POLÍTICOS
Iniciamos 2026 com a clareza de que este será um ano decisivo para o cenário político brasileiro, estadual e regional. Como já se projetava desde o ano passado, o foco das atenções está voltado às eleições para presidente da República, governador do Estado, deputado estadual, deputado federal e senador. Trata-se de um pleito que, além de renovar mandatos, irá redefinir forças, influências e alianças que ultrapassam o curto prazo e projetam efeitos diretos sobre os próximos ciclos políticos.
EXPECTATIVAS REGIONAIS E O PESO DOS APOIOS
Em nível regional, é natural que as eleições de 2026 despertem uma série de expectativas, especialmente em torno dos apoios às candidaturas à reeleição e do surgimento de novos nomes que buscam espaço, sobretudo nas disputas proporcionais. Conversas mantidas com diversas lideranças políticas - tanto locais quanto da região nordeste do Rio Grande do Sul - apontam para um fator comum: a importância estratégica que determinados nomes assumem dentro desse contexto.
RONALDO SANTINI E SUA DIMENSÃO POLÍTICA
Entre esses nomes, destaca-se de forma inequívoca Ronaldo Santini, lagoense, deputado estadual e atual secretário de Turismo do Rio Grande do Sul, filiado ao Podemos. A constatação é clara: por sua candidatura passam, direta ou indiretamente, grandes decisões políticas no pós-pleito, caso venha a ser reeleito.
O que chama atenção é que esse apoio e expectativa não se restringem ao seu partido. Prefeitos, vereadores e lideranças de diferentes siglas, mesmo sem manifestarem apoio público, acompanham com atenção sua trajetória e, nos bastidores, demonstram torcida clara pela sua recondução ao Parlamento estadual. Isso não se observa apenas em Lagoa Vermelha, mas em diversos municípios da região.
O reconhecimento decorre do trabalho efetivo desenvolvido por Santini em favor das cidades gaúchas, especialmente no fortalecimento do turismo regional, onde muitos prefeitos, independentemente de filiação partidária, reconhecem resultados concretos.
LAGOA VERMELHA E A REPRESENTAÇÃO ESTADUAL
Após a ausência de uma liderança como a então senadora Ana Amélia Lemos, Lagoa Vermelha passou a carecer de uma figura com forte projeção no cenário estadual e nacional. Hoje, esse espaço é ocupado, com naturalidade, pelo nome de Ronaldo Santini, que se consolida como a principal referência política do município no contexto gaúcho e, porque não dizer, nacional.
2026 COMO MARCO PARA 2028
Embora ainda pareça prematuro falar sobre as eleições municipais de 2028, a experiência política mostra que muitos projetos começam a ser desenhados imediatamente após o encerramento do pleito estadual e nacional. As influências do Governo do Estado, o desempenho dos deputados eleitos e a força das bancadas regionais terão impacto direto na definição de alianças, candidaturas e estratégias futuras.
Em Lagoa Vermelha, é sabido que o Progressistas comanda o município em sua terceira gestão consecutiva e que, nos bastidores, o nome de Eloir Morona aparece como indicação natural do partido para a sucessão. Por outro lado, o vice-prefeito Alessandro Muliterno, pertencente a uma família tradicional do Podemos, também surge como uma liderança com potencial para almejar a chefia do Executivo municipal.
Além disso, vereadores em primeiro mandato, bem como figuras tradicionais da política local, poderão buscar protagonismo, seja na manutenção de espaços ou na construção de novos projetos.
O TABULEIRO PARTIDÁRIO EM MOVIMENTO
No plano estadual e regional, partidos tradicionais em Lagoa Vermelha - como Progressistas, PL, Podemos, MDB, PDT, PSD, PSB e PT - certamente buscarão ampliar sua presença e influência. O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, tende a tentar ocupar mais espaço na região, acompanhando o cenário nacional.
ANÁLISE PREMATURA, MAS NECESSÁRIA
É verdade que qualquer análise feita neste momento ainda é prematura. No entanto, o que se pode afirmar com segurança é que o pleito de 2026 será o grande divisor de águas. A partir dele, alianças serão consolidadas, reposicionadas ou até desfeitas, definindo os rumos políticos não apenas do Estado, mas também de Lagoa Vermelha e de toda a região nordeste do Rio Grande do Sul.
A política, como sempre, se constrói no tempo - e 2026 será, sem dúvida, o ano que começa a escrever os próximos capítulos dessa história.
SAÚDE, HEMODIÁLISE E OS BASTIDORES DA POLÍTICA
Outro tema que passa a ocupar espaço relevante no debate político regional, especialmente neste ano pré-eleitoral, está ligado à área da saúde e, de forma muito concreta, à expectativa da inauguração dos serviços de hemodiálise em Lagoa Vermelha. Trata-se de uma demanda histórica da região, que representa um avanço significativo na qualidade de vida de pacientes e familiares, evitando deslocamentos longos e desgastantes.
A idealização e a viabilização desse projeto contaram com o envolvimento direto do Executivo Municipal, da Câmara de Vereadores, além de um trabalho político importante do deputado estadual e secretário de Turismo do Estado, Ronaldo Santini, que atuou de forma decisiva na articulação institucional.
Somam-se a isso a participação do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, responsável pela destinação de recursos, o apoio do Governo do Estado e o trabalho de diversos parlamentares, entre eles o deputado Covatti Filho, do Progressistas.
MÉRITOS, DISPUTAS E A LÓGICA DA POLÍTICA
Como é próprio da política, um projeto dessa magnitude também gera disputas nos bastidores. O que se observa é uma espécie de queda de braço política entre o grupo liderado por Ronaldo Santini e a família Covatti, que também reivindica para si a idealização e o protagonismo na construção do serviço de hemodiálise em Lagoa Vermelha.
Trata-se, mais do que de vaidade, de uma disputa por capital político, algo recorrente quando grandes obras ou serviços estruturantes saem do papel. Cada grupo busca, dentro de sua narrativa, capitanear os méritos do projeto, apresentando-se como o principal responsável por sua concretização.
SANDRO FRANCISCATTO E A SUCESSÃO POLÍTICA
Nos bastidores, outro movimento chama atenção. Sabe-se que Sandro Franciscatto, que passou a ser identificado politicamente como Sandro do Covatti, surge como o sucessor da família Covatti na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa. Ele sucede a deputada Silvana Covatti, que não deve mais concorrer a deputada estadual, transferindo a ele essa missão política.
Esse reposicionamento não é apenas simbólico. Sandro Franciscatto passa a assumir protagonismo, intensifica sua presença regional e recebe o apoio de diversos integrantes do Progressistas, especialmente em uma área estratégica como a saúde, onde o trabalho da família Covatti é reconhecido há bastante tempo.
O DESAFIO ELEITORAL DE COVATTI FILHO
Outro ponto que merece atenção diz respeito ao desempenho eleitoral de Covatti Filho em Lagoa Vermelha. A grande incógnita é saber se, em uma eventual nova candidatura a deputado federal, ele conseguirá repetir os cerca de quatro mil votos obtidos no município em eleições anteriores.
O que se comenta nos bastidores é que o Progressistas tende a fechar questão em torno do seu nome, caso ele confirme a candidatura. Ainda assim, há quem avalie que essa votação expressiva dificilmente se repetirá nas mesmas proporções, considerando o novo contexto político e a redistribuição de forças dentro do partido e da região.
A PACIFICAÇÃO POLÍTICA COMO MÉTODO DE GOVERNO EM IBIRAIARAS
Na entrevista concedida ao Folha News, em conversa conduzida por este colunista, o prefeito de Ibiraiaras, Joel Isidoro Cristianetti (PL), deixou claro que sua opção política não foi apenas administrativa, mas também estratégica: governar com diálogo amplo, inclusive com a oposição.
Não se trata de um discurso retórico ou circunstancial. Ao longo da entrevista, Cristianetti demonstrou compreender que, em municípios de porte médio e pequeno, a lógica do “nós contra eles” cobra um preço alto: paralisa projetos, contamina relações institucionais e penaliza diretamente a população. Ao optar pela pacificação, o prefeito sinaliza maturidade política e leitura correta do ambiente local.
O apoio do MDB - partido historicamente forte e que abriu mão de candidatura própria para integrar a base - é citado pelo prefeito como um gesto de grandeza política. Mas o ponto mais relevante da entrevista vai além da aliança formal: Cristianetti faz questão de reconhecer que a oposição também tem papel ativo, fiscalizador e propositivo, sem ser tratada como obstáculo ao governo.
Esse comportamento rompe com um padrão ainda comum na política municipal, em que a oposição é vista como inimiga e não como parte legítima do processo democrático. Em Ibiraiaras, segundo o próprio prefeito, as divergências existem - e ele não as nega -, mas são colocadas em segundo plano quando o interesse coletivo está em jogo.
Ao afirmar que “todos os grupos têm pessoas boas e interessadas no crescimento do município”, Cristianetti expõe uma visão pragmática e, ao mesmo tempo, pedagógica da política. Ele reconhece que partidos são instrumentos, não fins, e que o verdadeiro divisor de águas está entre quem quer colaborar e quem prefere tensionar.
Essa postura também revela segurança política. Governantes inseguros tendem a isolar-se; governantes confiantes ampliam o diálogo. Ao abrir espaço para aliados, independentes e opositores, o prefeito constrói um ambiente institucional mais estável, reduz ruídos e facilita a tramitação de projetos estratégicos - algo essencial para um governo que aposta em 2026 como o ano das entregas.
Em síntese, a entrevista mostra que a pacificação política em Ibiraiaras não é ausência de conflito, mas gestão madura do conflito. É a compreensão de que governar exige mais do que maioria: exige escuta, respeito e capacidade de convergir. Num cenário político cada vez mais polarizado, essa escolha não é apenas inteligente - é necessária.
O QUE REVELOU A ENTREVISTA DE ALESSANDRO MULITERNO
O vice-prefeito de Lagoa Vermelha, Alessandro Muliterno (Podemos), concedeu entrevista ao Folha News e apresentou uma leitura direta, humana e realista sobre o primeiro ano de governo. Ao tratar de saúde, burocracia, comportamento do eleitor, limites legais e responsabilidades do Executivo, Muliterno expôs não apenas dados e ações, mas também percepções que ajudam a compreender o atual momento da administração municipal. A seguir, algumas evidências e observações extraídas de suas próprias falas, que ajudam a traduzir o espírito da entrevista.
“Se eu tivesse que definir 2025 em uma palavra, seria aprendizado”.
“Quem acha que sabe tudo dentro de uma administração assina um atestado de que não sabe nada”.
“Quando a gente mexe com saúde, mexe com vidas”.
“A lei não atrasa o processo, mas muda completamente a nossa expectativa”.
“Eu cheguei achando que dava para fazer, organizar e concluir. Aprendi que não funciona assim”.
“Mesmo não sendo competência do município, a população é nossa responsabilidade”.
“Governar exige mais escutar do que falar”.
“O governo não pode fazer distinção partidária, ele precisa atender a todos”.
“O eleitor está mais imediato, mas o poder público não funciona na velocidade das redes sociais”.
“Meu patrão não é o prefeito, é a população que paga impostos e confia no nosso trabalho”.
As declarações revelam um gestor em processo de amadurecimento político, consciente das limitações legais, mas atento às cobranças sociais cada vez mais imediatas. A entrevista deixa claro que, para além das disputas partidárias, o grande desafio do Executivo está em equilibrar expectativa, legalidade e resposta concreta à população - especialmente na área da saúde, onde o tempo não admite espera.


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