COLUNISTAS

02/01/2026

UM ANO EM QUE O PODER SE ORGANIZOU, A POLÍTICA SE EXIBIU E 2026 COMEÇOU A SER DESENHADO
Ao longo de 2025, esta coluna acompanhou semanalmente os principais fatos da política de Lagoa Vermelha e da região, registrando acontecimentos, analisando decisões, interpretando discursos e, sobretudo, opinando a partir da observação contínua do cenário político local.
Esta retrospectiva não nasce de uma leitura distante ou pontual, mas do acúmulo de informações, análises e posicionamentos apresentados ao longo de todo o ano. O que segue é a síntese crítica de um período em que a política se revelou em suas virtudes e fragilidades, permitindo compreender como o poder se organizou, como os atores se posicionaram e de que forma o caminho até 2026 começou a ser construído diante dos olhos do eleitor.
 
JANEIRO - POSSE, EXPECTATIVA E O PESO DA CONTINUIDADE
Janeiro marcou o início formal de um novo ciclo administrativo em Lagoa Vermelha. A posse do prefeito Eloir Morona e do vice Alessandro Muliterno ocorreu sob um ambiente de expectativa e estabilidade, com discurso voltado à continuidade de projetos e à manutenção de uma base política ampla. O início do ano revelou um Executivo organizado, consciente de sua força institucional e atento ao desafio de corresponder às expectativas criadas após uma eleição competitiva.
 
FEVEREIRO - A CÂMARA SE APRESENTA AO ELEITOR
Com o retorno das sessões legislativas, fevereiro foi o mês da apresentação de perfis. Vereadores experientes reafirmaram posições, enquanto estreantes passaram a testar discurso, ritmo e posicionamento político. A Câmara demonstrou, desde cedo, alinhamento majoritário ao Executivo, mas também deixou claro que o debate faria parte da rotina legislativa, ainda que dentro de limites institucionais bem definidos.
 
MARÇO - PRIMEIROS EMBATES E CONSTRUÇÃO DE NARRATIVAS
Março trouxe os primeiros embates mais visíveis. Projetos, indicações e discursos passaram a ser analisados também sob a ótica da opinião pública. A tribuna começou a ser usada não apenas para encaminhamentos técnicos, mas como espaço de construção de narrativa política. Ficou evidente que 2025 seria um ano de afirmação de discursos, e não apenas de votação de matérias.
 
ABRIL - A GOVERNABILIDADE EM TESTE
Em abril, a governabilidade foi colocada à prova. A base aliada mostrou coesão suficiente para garantir a tramitação de projetos do Executivo, enquanto a oposição passou a utilizar com mais frequência o argumento da prioridade social e da leitura popular das decisões administrativas. O mês revelou um Legislativo funcional, mas cada vez mais consciente do impacto político de suas escolhas.
 
MAIO - OPOSIÇÃO ATIVA E A TRIBUNA COMO PALCO
Maio consolidou o papel da oposição como voz fiscalizadora. Discursos mais firmes, questionamentos diretos e críticas à condução de algumas pautas passaram a ocupar espaço. A tribuna tornou-se palco de confrontos verbais que, embora dentro do rito democrático, passaram a ganhar repercussão fora do plenário, especialmente nas redes sociais.
 
JUNHO - ESTABILIDADE ADMINISTRATIVA E SILÊNCIOS ESTRATÉGICOS
Junho foi marcado por relativa estabilidade. O Executivo manteve o controle da agenda e reduziu a exposição em temas sensíveis. O silêncio estratégico passou a ser, em alguns momentos, tão significativo quanto o discurso. A política local entrou em um período de observação mútua, com atores avaliando movimentos e reposicionamentos.
 
JULHO - O CENÁRIO REGIONAL ENTRA EM FOCO
Julho ampliou o horizonte da análise política. O debate passou a incorporar o cenário regional e estadual, com projeções para 2026. Lideranças com atuação além dos limites municipais começaram a ganhar protagonismo natural, e Lagoa Vermelha passou a ser observada como peça relevante no tabuleiro político do Nordeste Gaúcho.
 
AGOSTO - ELEIÇÕES PASSADAS COMO CHAVE PARA O FUTURO
Agosto foi marcado por análises profundas das eleições anteriores. Os números de 2022 ganharam centralidade como instrumento de leitura do comportamento do eleitor. Ficou claro que o voto regional é cada vez mais pragmático, menos ideológico e fortemente influenciado por proximidade, resultado e presença constante.
 
SETEMBRO - O ELEITOR COMO ÁRBITRO
Setembro colocou o eleitor no centro da análise. A política local passou a ser lida sob a ótica da percepção popular. Discursos, gestos e decisões começaram a ser avaliados não apenas pelo mérito técnico, mas pelo impacto simbólico. O eleitor mostrou-se atento, crítico e menos tolerante a ruídos institucionais.
 
OUTUBRO - POLARIZAÇÃO, REDES SOCIAIS E IDENTIDADE
Outubro intensificou a polarização. As redes sociais tornaram-se extensão do plenário, e o discurso político ganhou contornos mais ideológicos. A identidade partidária voltou ao centro do debate, exigindo dos atores políticos maior clareza, coerência e responsabilidade institucional.
 
NOVEMBRO - A POLÍTICA SOB JULGAMENTO PÚBLICO
Novembro foi um mês simbólico. Debates como o uso do chapéu no plenário e o estacionamento rotativo expuseram algo maior: a cobrança por prioridades. A população passou a questionar não apenas decisões, mas o foco da política local. O Legislativo foi colocado sob julgamento público, em um ambiente de alta exposição.
 
A SESSÃO DO 13º - O PONTO DE INFLEXÃO DO ANO
A regulamentação do pagamento do 13º salário aos agentes políticos tornou-se o episódio mais delicado de 2025. Embora sustentada juridicamente, a decisão escancarou a distância entre técnica administrativa e percepção social. O desgaste político foi inevitável e deixou uma lição clara: legalidade não elimina a necessidade de sensibilidade política.
 
DEZEMBRO - BALANÇO, MEMÓRIA E CONSOLIDAÇÃO DE PODER
Dezembro encerrou o ano com tom institucional. O balanço da nova Legislatura revelou uma Câmara ativa, lideranças consolidadas e uma base governista sólida. O Executivo fechou o ano com estabilidade administrativa e controle político, enquanto homenagens e sessões solenes resgataram a dimensão humana da política e reforçaram o sentimento de pertencimento.
 
O JOGO CONTINUA
Encerrar 2025 exige mais do que um balanço factual. Exige interpretação. E a principal constatação é clara: foi um ano em que a política local deixou de se esconder atrás dos ritos formais e passou a ser julgada pelo conteúdo, pela postura e pela coerência.
O Executivo demonstrou força, organização e capacidade de articulação, sustentado por uma base ampla e funcional. No entanto, essa mesma força traz consigo uma responsabilidade maior: governar não apenas com maioria, mas com sensibilidade política, leitura social e capacidade de antecipar desgastes antes que eles se tornem crises.
 
JULGAMENTO PÚBLICO
O Legislativo, por sua vez, viveu um ano de afirmação e exposição. Mostrou-se ativo, plural e, em muitos momentos, tensionado. Cumpriu seu papel democrático, mas também foi colocado sob julgamento público, especialmente quando temas técnicos esbarraram na percepção social. 2025 ensinou que, na política contemporânea, decidir certo não é suficiente se não houver clareza, timing e comunicação adequada.
A oposição manteve-se presente, vocal e experiente, mesmo em minoria, lembrando que democracia não se mede apenas por números, mas pela existência de contrapontos reais. Já a base governista consolidou lideranças, mas precisará, em 2026, administrar não apenas votos, e sim expectativas.
 
O ELEITOR
Talvez o maior protagonista silencioso do ano tenha sido o eleitor. Mais atento, mais crítico e menos tolerante a ruídos institucionais, ele demonstrou que acompanha, compara e julga. O voto, cada vez mais pragmático, sinaliza que discursos vazios tendem a perder espaço para trajetórias, resultados e coerência.
2025 não foi um ano de ruptura. Foi um ano de organização do poder. De ajustes internos. De testes de maturidade. E, sobretudo, de exposição. Quem soube ler o ano, chega a 2026 em vantagem. Quem subestimou os sinais, provavelmente será surpreendido.
A política segue. O jogo continua.
E a história, como sempre, não absolve improvisos.
 
O QUE 2025 REVELOU SOBRE 
O PODER EM LAGOA VERMELHA
•  O governo Eloir Morona mostrou força institucional, mas aprendeu que governar com maioria não dispensa sensibilidade política.
•  A Câmara funcionou, deliberou e aprovou, mas nem sempre conseguiu explicar suas decisões à sociedade.
•  A base governista garantiu estabilidade, porém confundiu, em alguns momentos, segurança política com conforto excessivo.
•  A oposição fez barulho suficiente para lembrar que minoria não significa irrelevância.
•  Vereadores experientes confirmaram protagonismo; novatos descobriram que visibilidade cobra preparo.
•  Em 2025, quem perdeu a narrativa perdeu parte do capital político.
•  Temas pequenos revelaram problemas grandes de prioridade e leitura social.
•  A política local passou a ser julgada menos pelo rito e mais pelo significado.
•  O eleitor lagoense mostrou-se atento, pragmático e pouco tolerante a ruídos institucionais.
•  2025 não mudou o poder, mas deixou claro quem sabe usá-lo - e quem ainda aprende.

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