COLUNISTAS

02/01/2026

Um ano intenso de conquistas no futsal, dificuldades no futebol e de boas esperanças no esporte
Encerrar uma temporada de futsal nunca é apenas somar títulos, eliminações ou campanhas históricas. É, sobretudo, observar o que ficou exposto ao longo do caminho. E 2025 foi um ano revelador. Dentro de quadra, tivemos jogos memoráveis, decisões equilibradas e campanhas que merecem aplauso. Fora dela, o calendário, as estruturas e as escolhas políticas do esporte seguiram como protagonistas silenciosos - às vezes mais determinantes do que a bola rolando.
O futsal regional viveu um ano de afirmação. O Lagoa Esporte Clube e o Ibira Futsal mostraram que projetos bem conduzidos conseguem competir, mesmo com limitações orçamentárias evidentes. O Lagoa, começou a temporada comemorando três títulos, sendo campeão da primeira edição da Copa Santo Ângelo, além de ter conquistado a Taça Farroupilha Norte e da Supertaça Farroupilha, consolidandose como uma das referências da Liga Gaúcha. O Ibira, por sua vez, além de ter sido vice-campeão da Taça Farroupilha Norte, perdendo a decisão para o Lagoa Futsal, escreveu a campanha mais importante de sua jovem história, chegando à semifinal da série B do Gauchão e flertando com um acesso que escapou nos detalhes. A terceira colocação na classificação geral da competição ainda pode render um convite para disputar a elite em 2026.
 
GAUCHÃO DE FUTSAL 
O Gauchão de Futsal entregou aquilo que se espera de uma competição estadual forte: equilíbrio, bons jogos e uma final à altura. Atlântico e Passo Fundo Futsal protagonizaram uma decisão intensa, com dois confrontos cheios de roteiro. O título do Atlântico, construído fora de casa, encerrou a temporada da LGF e reafirmou a força de quem sabe competir em jogos grandes. O time de Erechim ainda se destacou a nível nacional pela conquista do bicampeonato da Copa do Brasil de Futsal. 
A projeção da Liga Gaúcha para 2026 impressiona pelos números: muitas competições, muitos jogos, quase o ano inteiro ocupado. O futsal gaúcho cresceu, mas ainda depende demais do esforço quase artesanal de dirigentes e apoiadores locais.
Em nível nacional, a criação da LNF Silver para a próxima temporada dividiu opiniões e enfrentou uma dificuldade de preenchimento de novas vagas para a disputa. A ideia de uma divisão de acesso para a Liga Nacional é correta e necessária. O Lagoa Futsal chegou a receber o convite, mas acabou declinando da possibilidade em função do tamanho da responsabilidade e necessidade de maior investimento, o que poderia comprometer o trabalho estruturado e consolidado ao longo dos anos. Foi, antes de tudo, um reconhecimento. Estar no radar da LNF não é pouca coisa. Mas a decisão de recusar a participação foi madura. 
 
LNF
Enquanto isso, a LNF principal entregou mais um capítulo marcante. Corinthians e Jaraguá fizeram uma final digna da história da competição. O empate em São Paulo e a vitória catarinense em Jaraguá do Sul coroaram o sexto título do clube, agora isolado como maior campeão nacional. Um detalhe que merece registro: a presença da arbitragem gaúcha nos dois jogos da decisão. Um sinal de que, mesmo com tantas críticas, o Rio Grande do Sul segue exportando qualidade para o futsal brasileiro.
Outro ponto que passou longe da grande mídia, mas merece atenção, foi a Copa do Mundo de Futsal Feminino promovida pela FIFA. Competição inédita, jogos transmitidos por streaming e a seleção brasileira avançando com autoridade. Liderança de grupo, vitórias convincentes e a sensação de que o futsal feminino ainda caminha à margem do espaço que merece. Em um ano em que se discute tanto a entrada do futsal no programa olímpico, ignorar esse movimento é um erro estratégico.
 
CENÁRIO LOCAL
No cenário local, o ano não teve a intensidade que se gostaria, mas encerrou em grande estilo. O Campeonato Indústria e Comércio mostrou a força do esporte como ferramenta de integração. 
Ginásio cheio, finais bem-organizadas e muitos atletas envolvidos. Quando há cuidado na condução, o futsal entrega resposta imediata. O mesmo vale para eventos escolares, como o Intercolegial, que surge como semente importante para o futuro da modalidade.
É claro que não dá para ignorar o futebol - ou melhor, o “futebol do interior”. A nova fórmula do Gauchão de futebol voltou a levantar discussões antigas. Campeonatos curtos, calendário pobre, clubes parados boa parte do ano. Falta coragem para mudanças profundas. Enquanto isso, dirigentes reclamam hoje e aprovam amanhã o mesmo modelo que criticam. Um ciclo vicioso que parece nunca ter fim. 
A dupla Grenal brigou pelo título do Gauchão, e só. Parecia final de Copa do Mundo. Depois disso, se arrastou no restante do ano. Quase sempre na parte de baixo da tabela, o Grêmio ainda conseguiu dar uma arrancada na reta final do Brasileiro e ficar longe do rebaixamento. Já o Internacional foi até a última rodada com chances reais cair para a série B, mas acabou sendo ajudado pelos resultados paralelos e se salvou no último fôlego. 
 
CONQUISTAS
O ano termina com boas conquistas no futsal, algumas evoluções evidentes e a certeza de que o caminho ainda será muito longo para conquistar o espaço e o reconhecimento merecidos. A nível local, há uma esperança muito boa de desportistas que teremos mais mobilização e eventos para diversas modalidades esportivas. Já no futebol, especialmente para torcedores da dupla Grenal, será mais um ano muito difícil. Com calendário bagunçado e investimentos mal-feitos, a tendência é novamente de brigarem pelo gauchão e sofrerem no resto do ano. 
De esperanças, no futebol, a Seleção Brasileira. Será ano de Copa do Mundo. Apesar de não acreditar muito, e das incertezas em torno de uma competição com um novo regulamento e mais seleções, quem sabe o Brasil não conquista mais uma estrela. 

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