COLUNISTAS

12/12/2025

UM ANO DE MANDATOS: O RETRATO POLÍTICO DA NOVA LEGISLATURA
Ao nos aproximarmos do encerramento de 2025, é inevitável fazer uma leitura mais atenta do cenário político de Lagoa Vermelha, especialmente das lideranças que hoje ocupam cargos eletivos nesta nova configuração administrativa. O ano marcou o início de um novo ciclo no Executivo e também uma renovação importante no Legislativo, mesclando vereadores experientes com novos nomes que passaram a dar o tom da política local.
No Executivo, o prefeito Eloir Morona (PP) e o vice- prefeito Alessandro Muliterno (Podemos) assumiram a condução administrativa do município em janeiro, liderando uma base governista formada por PP, PL, Podemos, PSD e União Brasil. Já no Legislativo, os onze vereadores iniciaram seus mandatos sob uma maioria amplamente favorável ao governo, o que garantiu estabilidade política, mas também impôs à oposição um cenário de atuação mais restrita.
 
A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA E AS AUSÊNCIAS 
A presidência da Câmara de Vereadores ficou sob a responsabilidade de Josmar Freitas Veloso, fruto do acordo político entre PP, PL e Podemos. A vice-presidência é ocupada pelo dr. Kramer (PP) e a secretaria da Mesa por Viego Silva dos Santos (PL). O acordo político firmado prevê ainda que Viego assuma a vice-presidência da Casa em 2026 e, posteriormente, a presidência em 2027.
No entanto, ao longo deste primeiro ano de legislatura, a condução de Josmar à frente do Poder Legislativo foi marcada por ausências sentidas pela comunidade e pelas próprias instituições. Em diversas ocasiões, o presidente deixou de representar oficialmente a Câmara em eventos importantes do município, atribuindo as faltas a compromissos profissionais.
Ainda que tais justificativas sejam compreensíveis no plano particular, o fato é que o povo se ressente da presença do representante máximo do Legislativo em atos solenes, inaugurações, homenagens e eventos institucionais, atribuição essencial do presidente da Casa.
Chamou atenção, também, o fato de que, em várias oportunidades, o Legislativo acabou sendo representado por assessores, e não por vereadores - situação considerada inédita na história recente da Câmara de Lagoa Vermelha. Esse distanciamento gerou desconforto político e institucional e fragilizou, em determinados momentos, a imagem da representatividade plena do Poder Legislativo.
 
VIEGO SILVA DOS SANTOS: JUVENTUDE, POSTURA FIRME E INDEPENDÊNCIA PONTUAL
Estreante no Legislativo, Viego Silva dos Santos, PL, demonstrou, logo no primeiro ano, disposição real para o trabalho parlamentar. Atento às demandas da população, protocolou diversas indicações, ofícios e reivindicações, muitas delas atendidas pelo Executivo municipal.
Mesmo integrando a base governista, Viego não se furtou, em determinadas votações, a adotar postura independente, votando de forma contrária ao governo quando entendeu necessário. Essa postura, no entanto, nunca afetou sua relação institucional com o Executivo nem descaracterizou seu papel dentro da base aliada.
 
MÁRCIO MARQUES: VOZ EXPERIENTE E INFLUÊNCIA CONSOLIDADA NO PL
Márcio Marques chegou a este novo mandato com a bagagem de já ter presidido a Câmara na legislatura anterior. Sua atuação em 2025 seguiu firme, com cobranças frequentes em nome da comunidade e posicionamentos diretos na tribuna.
Chamaram atenção, ao longo do ano, suas manifestações contra críticas feitas de forma anônima nas redes sociais, defendendo que as demandas sejam levadas diretamente ao Legislativo. Dentro do PL, Márcio permanece como uma das principais lideranças, exercendo influência tanto no partido quanto nas articulações internas da base.
 
CLEON PIVA: ALINHAMENTO, DISCIPLINA E ATUAÇÃO CONSTANTE
Outro estreante pelo PL, Cleon Piva manteve postura alinhada ao governo desde o início da legislatura. Participou das reuniões prévias às sessões, seguiu as orientações da base e apresentou diversas reivindicações em favor da comunidade. Sua atuação é discreta, porém constante, demonstrando disciplina política e compromisso com a governabilidade.
 
CLACIR FRANCISCO BONATTO: DA VIDA COMUNITÁRIA AO PARLAMENTO
Pelo Podemos, Clacir Francisco Bonatto estreou no Legislativo após anos de forte atuação na sociedade lagoense. Sua transição para o Parlamento foi natural, levando ao plenário pautas ligadas ao cotidiano da comunidade. Integrante da base governista, manteve proximidade com o Executivo e participação ativa nas pautas de interesse do governo.
 
DR. KRAMER: EXPERIÊNCIA COMO PILAR DA BASE GOVERNISTA
Em sua sétima legislatura, o dr. Kramer (PP) segue sendo o decano da Câmara de Vereadores. Atual vice-presidente da Casa, desponta naturalmente como o nome preparado para assumir a presidência do Legislativo em 2026.
Combativo, experiente e muitas vezes polêmico, Kramer exerce papel central na defesa do governo Eloir Morona na tribuna. É o vereador que mais frequentemente rebate as críticas da oposição, especialmente as oriundas do PT e do PDT.
 
CHARISE BRESOLIN: DISCURSO IDEOLÓGICO E PRESENÇA MARCANTE
A vereadora Charise Bresolin (PP) também vive seu primeiro mandato, mas com atuação marcadamente ideológica. Identificada com a direita e defensora declarada do bolsonarismo, mantém forte alinhamento de discurso com o PL, mesmo estando no Progressistas.
Charise se destaca pela firmeza nas manifestações, discursos contundentes e presença ativa em pautas ideológicas, sem deixar de apresentar indicações e reivindicações voltadas à comunidade.
 
GENI MERIB: A BANDEIRA DA CAUSA  ANIMAL DENTRO DO GOVERNO
Geni Merib (PP) cumpre seu primeiro mandato com atuação voltada a pautas sociais e, em especial, à causa animal. Sua principal conquista neste primeiro ano foi a aprovação do projeto que regulamenta a defesa dos animais em Lagoa Vermelha, criando uma base legal para políticas públicas na área.
Geni atua de forma alinhada à base governista, mantendo postura de apoio às principais ações do Executivo.
 
PAULA CASTILHOS: OPOSIÇÃO FIRME E ARTICULAÇÃO DE RECURSOS
Pelo PT, Paula Castilhos simboliza a retomada do partido ao Legislativo lagoense após longo período de ausência. Sua atuação é claramente de oposição ao governo Eloir Morona, com críticas diretas, questionamentos constantes e presença ativa nas pautas sociais.
Mesmo na oposição, mantém bom relacionamento institucional com o prefeito e o vice-prefeito, além de viabilizar emendas parlamentares junto às bancadas federal e estadual, garantindo recursos importantes ao município.
 
ARIOVALDO E RANYERI: A OPOSIÇÃO EXPERIENTE DO PDT
Pelo PDT, Ariovaldo Carlos da Silva e Ranyeri Bozza seguem como os dois representantes do partido na Câmara. Ambos são vereadores experientes e desempenham uma oposição combativa ao governo atual.
Questionam ações do Executivo, fiscalizam contratos, obras e decisões administrativas e mantêm viva a presença do PDT no debate político municipal. Mesmo em minoria, cumprem o papel fiscalizador que a democracia exige.
 
UM LEGISLATIVO MAJORITARIAMENTE GOVERNISTA E O DESAFIO DO EQUILÍBRIO
O primeiro ano da atual legislatura mostrou um Legislativo amplamente alinhado ao Executivo, oferecendo estabilidade política ao governo Eloir Morona. Por outro lado, a oposição, mesmo reduzida numericamente, segue atuante, crítica e vigilante.
Esse equilíbrio - ainda que desigual em números - é parte essencial da democracia. O ano de 2026 se aproxima prometendo novos embates, reposicionamentos políticos e o fortalecimento de lideranças que, inevitavelmente, irão redesenhar o cenário político de Lagoa Vermelha.
 
O EXECUTIVO MUNICIPAL, O SECRETARIADO E AS EXPECTATIVAS PARA 2026
Além do Legislativo, o olhar da comunidade também se volta ao Executivo Municipal, especialmente quanto à manutenção ou eventual substituição do secretariado e de integrantes do segundo escalão do governo. A base governista é formada por Progressistas, Podemos, PL, PSD e União Brasil, sendo que União Brasil e PSD funcionam, na prática, como braços de sustentação do projeto político liderado pelo PP.
Quando questionado ao longo deste final do ano, o prefeito Eloir Morona sinalizou, de forma prudente, que poderão ocorrer ajustes no segundo escalão, sem confirmar mudanças no secretariado. Até o momento, tudo permanece como está, mas 2026 desponta como um ano de possíveis definições.
Durante 2025, ganhou repercussão a manifestação de interesse do secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Freitas da Mota (PP), que também preside a Juventude Progressista, em deixar a pasta para atuar na capital junto ao governo estadual - fato que, até agora, não se confirmou. Soma-se a isso o cenário das eleições estaduais de 2026, que naturalmente deve provocar rearranjos políticos.
Atualmente, o secretariado municipal está assim constituído: na Secretaria de Planejamento, Maiara Zaparoli (PL); na Secretaria de Obras e Viação, Admilson Ferreira da Silva (PSD); na Secretaria da Administração, Adessandro de Souza (Podemos); na Secretaria da Assistência e Desenvolvimento Social, Ivan José Galvan Barreto (PL); na Chefia de Gabinete, Alvício José Teles (PL); na Secretaria da Saúde, Cristiane Ferreira de Matos (PP); na Secretaria da Educação, Cultura e Desporto, Carlos Henrique Bombassaro Júnior (PL); na Secretaria Geral de Governo, o vice-prefeito Alessandro Muliterno (Podemos); na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Lucas Freitas da Motta (PP); na Secretaria da Agricultura e Meio Ambiente, Lindomar do Carmo Moraes (Podemos); na Secretaria da Fazenda, Rodrigo Tochetto (PP); e na Procuradoria Jurídica, Fernanda Rigotti Lunelli Raymundi..
O Executivo encerra 2025 com estabilidade administrativa, mas também sob o olhar atento da sociedade e das forças políticas. Como sempre, será o tempo - aliado às articulações partidárias - que indicará quem permanece, quem será remanejado e quem poderá deixar oficialmente o governo em 2026.
 
DISTRIBUIÇÃO PARTIDÁRIA NA ESTRUTURA DE GOVERNO
Atualmente, a composição do secretariado municipal revela um equilíbrio entre Progressistas e PL na ocupação dos principais cargos. Cada uma dessas siglas responde por aproximadamente 33,3% das posições, com quatro nomes cada na estrutura de governo. O Podemos detém 25% do secretariado, com três cargos, enquanto o PSD participa com cerca de 8,3%, ocupando uma pasta. Já o União Brasil, embora integre a base aliada, não possui representação direta no primeiro escalão da administração.
Essa distribuição evidencia o peso político de cada partido na engrenagem do governo Eloir Morona e ajuda a compreender a correlação de forças dentro da base aliada no comando da máquina pública municipal.

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