COLUNISTAS
Ela voltou 07/11/2025
Gosto de voltar no tempo lendo edições passadas do nosso semanário Folha do Nordeste.
Neste artigo, por exemplo, escrevo inspirado em algo publicado no dia 6 de junho de 2008 - portanto, há longos onze anos.
O que os senhores e as senhoras lerão a seguir baseia-se em um texto intitulado “Ela voltou”.
Vamos ao caso: “Ela voltou. Aquela ingrata voltou novamente - a inflação. Aquela ingrata que o povo brasileiro odiava está de volta e presente em todas as compras da vida cotidiana. Tudo aumenta, é só prestar atenção.
As causas da inflação: a primeira é o petróleo, cujo barril não cessa de subir no mercado externo e nos atinge violentamente.
Nas compras de mercado, na hora de pagar, vêem-se os preços cada vez mais altos. Constata-se que a economia está desandando.
Lula promete usar todas as armas para atacar. É difícil tapar o sol com a peneira.
As cantilenas de que o Brasil tornou-se autossuficiente em petróleo e líder na produção de biocombustíveis cessaram.
Estamos subjugados aos preços externos. Nosso petróleo, apesar das enormes jazidas descobertas, dorme em berço esplêndido nas profundezas do mar - intocável pelos altos custos de extração.
Vejam quantas coisas se tornaram mais caras pelo aumento do petróleo: os fretes, os adubos e os defensivos agrícolas. Só estes já influenciam o custo de todos os alimentos.
A segunda causa da inflação é interna - são os gastos do governo. Essa desgraça o presidente ainda não pensou em sanar. Pelo contrário: os gastos governamentais aumentam de maneira revoltante e escandalosa.
É preciso pôr freio, limitar os gastos públicos, especialmente os supérfluos - na máquina burocrática, nas mordomias, nas viagens, congressos, aumentos salariais e contratações irregulares. Nossos governos têm sido pródigos, gastam como ricos em um país pobre.
Os juros sobem sem parar. A indústria já pensa em desacelerar as máquinas.
A Argentina enfrenta protestos e bloqueios nas rodovias. Para mascarar a inflação dos Kirchner, o governo impede as exportações - o que eleva os preços da farinha de trigo. O pão e as massas tornam-se caríssimos.
Oxalá nossos governantes vistam a camisa da parcimônia. Nós, brasileiros, já apertamos nosso cinto há muito tempo”.
Pois bem. O artigo “Ela voltou”, como já mencionado, foi escrito há onze anos.
Deixo a pergunta: apesar do tempo, ele está ou não atual? Na verdade, está muito atual - e serve como uma luva para os dias de hoje.
Transcrevi este artigo, primeiro, para mostrar que pouco mudou. Que o povo brasileiro vive de ilusões, é enganado diariamente e continua esperando milagres, sem exigir seus direitos.
Em segundo lugar, permiti-me reproduzir este texto para homenagear um grande homem, já falecido, mas que deixou um legado de honestidade e coragem. Esse homem, autor de “Ela voltou”, chamava-se Dr. Arlindo Lóttici.


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