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A triste guerra no Rio de Janeiro 31/10/2025

Fila de corpos, massacres, arsenal, retaliações, tiroteio, represálias, execuções, pânico, catástrofe, fuga, medo e desespero são algumas palavras que podem traduzir a triste guerra que se instaurou no Rio de Janeiro.  Até agora - escrevo essa coluna na quarta-feira, próximo das 15h - foram confirmados 121 óbitos, 4 policiais e 117 suspeitos de envolvimento com o crime organizado, sendo a ação policial mais letal da história do Rio de Janeiro.   
As notícias nos sites oficiais dizem que o total de mortos após a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, pode ultrapassar 130, um dia depois da ação mais letal já registrada no estado. Na noite anterior, o governo do Rio havia informado que 64 pessoas haviam morrido, 60 suspeitos e quatro policiais. Mas, moradores levaram pelo menos 74 corpos à Praça São Lucas, na Estrada José Rucas durante a madrugada da quarta-feira, 29. O secretário da PM, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, disse que os corpos da praça não constam da contagem oficial. Segundo ele, a corporação irá realizar uma perícia para confirmar se há relação entre essas mortes e a operação. Tudo indica, no entanto, que o número de mortos pode chegar a 138 e superar o massacre do Carandiru, em 1992.
Esta megaoperação contou com 2,5 mil policiais, cumprindo cerca de 100 mandados de prisão, com 81 pessoas presas e mais de 90 fuzis, rádios comunicadores e 200 kg de drogas apreendidos. A operação tinha como alvo, integrantes do Comando Vermelho que estavam escondidos nos Complexos da Penha e do Alemão.  
Drones policiais registraram criminosos fortemente armados fugindo em fila indiana pela mata da Vila Cruzeiro, enquanto, em represália, membros do Comando Vermelho foram flagrados arremessando bombas através de um drone.
De acordo com o g1, criminosos incendiaram e usaram ônibus e outros veículos como barricadas em diversas vias. O Rio Ônibus informou que 71 coletivos foram tomados e 204 linhas ficaram paralisadas.
Nas redes sociais, as pessoas têm reações divergentes em relação à operação. Uns apoiam a ação policial. Outros, no entanto, criticam a violência. Uns dizem que segurança pública não se faz com sangue. Outros, que o poder das facções criminosas deve ser exterminado. Contudo, o sentimento predominante entre a população é o de insegurança e medo, diante de todo o cenário.
Quando uma guerra, como esta, se instaura, a vida de milhares de pessoas é devastada e as estruturas sociais, econômicas e políticas da cidade, do estado e do país, são abaladas. 
Quando um conflito armado se inicia é porque o resultado final das tensões foi evoluindo e se intensificando comprovando que houve falha em todas as tentativas de resolução.
A sensação é de perda, de fracasso e de impotência porque a violência urbana resulta em mortes, lutos, ansiedade e traumas psicológicos. Os efeitos para os moradores da região e para as vítimas são devastadores.   
Oremos!

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