COLUNISTAS
25/09/2026
ELEIÇÕES 2026: O QUE ESTÁ EM JOGO
PARA LAGOA VERMELHA E REGIÃO?
A poucos dias do primeiro turno das eleições gerais, marcado para 4 de outubro, o cenário político começa a ganhar contornos mais definidos. Em Lagoa Vermelha e nos municípios da região, as articulações partidárias, as candidaturas com vínculos locais e a movimentação das lideranças oferecem elementos para uma reflexão que ultrapassa a simples disputa por votos. Nas últimas semanas, acompanhamos diferentes manifestações políticas, inclusive por meio de entrevistas realizadas pelo Folha News. O que se observa é uma campanha com características próprias, na qual as relações pessoais, os compromissos partidários e a representatividade regional se encontram. Mas algumas perguntas merecem atenção especial nesta reta final.
O ELEITOR ESTÁ MOBILIZADO?
A campanha eleitoral parece apresentar duas realidades distintas. Nos bastidores, dirigentes partidários, candidatos e apoiadores intensificam reuniões, visitas e articulações. Nas ruas, entretanto, a movimentação não parece acompanhar a mesma intensidade. As redes sociais assumiram papel importante na divulgação das candidaturas, mas o contato pessoal continua presente nas estratégias políticas, especialmente nos municípios menores.
O desafio é compreender até que ponto as manifestações de apoio representam envolvimento efetivo do eleitorado. Afinal, participar de uma reunião partidária, acompanhar uma publicação ou receber um candidato não significa necessariamente assumir um compromisso eleitoral. A decisão será individual, na urna, e poderá refletir critérios que nem sempre aparecem nas movimentações públicas da campanha.
QUEM REPRESENTARÁ A REGIÃO?
A representação política regional constitui um dos aspectos mais interessantes desta eleição. Lagoa Vermelha possui candidaturas diretamente identificadas com o município, mas também mantém relações com parlamentares e lideranças de outras localidades.
Pedro Macari, pelo PSDB, disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. Em suas manifestações, apresentou compromissos relacionados à saúde e afirmou que desenvolve sua campanha sem recursos do Fundo Eleitoral e do próprio partido. Felippe Rieth, do PDT, ex-prefeito de Capão Bonito do Sul, também concorre a deputado federal. Em entrevista ao Folha News, abordou questões relacionadas à infraestrutura, à saúde e ao desenvolvimento regional. São candidaturas com trajetórias distintas, que colocam em discussão a possibilidade de ampliar a presença política do Nordeste gaúcho em Brasília. Entretanto, a representação de uma região não depende exclusivamente da origem geográfica de seus parlamentares. Envolve também a manutenção de vínculos institucionais e a participação nas decisões que afetam seus municípios.
E O PAPEL DE SANTINI?
Ronaldo Santini ocupa uma posição particular nesse contexto. Natural de Lagoa Vermelha, deputado estadual pelo Podemos e candidato à reeleição, possui uma trajetória que reúne atuação parlamentar e participação no Executivo estadual. Em 2022, recebeu 6.306 votos em Lagoa Vermelha. Sua passagem pelo governo Eduardo Leite, inclusive como secretário estadual de Turismo, acrescenta outro elemento à análise de sua atuação política. A candidatura de Santini permite discutir como a experiência administrativa, o exercício de mandato e as relações construídas ao longo dos anos se apresentam ao eleitorado em uma nova disputa.
Também evidencia uma característica da política municipal: os vínculos pessoais e regionais podem ultrapassar as fronteiras partidárias. A votação de outubro permitirá observar como essas relações se manifestam diante das diferentes candidaturas apresentadas pelos partidos.
HÁ ESPAÇO PARA NOVOS NOMES?
A disputa proporcional também reúne candidaturas que procuram ampliar sua presença no cenário político regional. André Oliveira, do PSB, concorre a deputado estadual e participa das articulações partidárias em Lagoa Vermelha, em um campo político que também trabalha com a candidatura de Beto Albuquerque à Câmara Federal.
Na região, a participação de Indianesa de Bispo Godinho Gregolon, MDB de Capão Bonito do Sul, acrescenta outro nome ao debate sobre representação política. Essas candidaturas apresentam trajetórias e vínculos diferentes, mas compartilham o desafio de estabelecer uma relação com eleitores de diversos municípios.
A existência de várias candidaturas identificadas com a região também exige observar as características do sistema proporcional, no qual a votação individual se relaciona com o desempenho dos partidos e das federações.
O resultado não dependerá exclusivamente dos votos conquistados em Lagoa Vermelha ou nos municípios vizinhos.
COMO FICAM OS PARTIDOS?
As eleições gerais também movimentam as estruturas partidárias municipais. No campo de apoio à candidatura de Luciano Zucco ao Governo do Estado, lideranças do PL, Progressistas e partidos aliados desenvolvem suas articulações. No município, o PL reúne vereadores e integrantes da administração municipal, mas seus dirigentes e apoiadores também mantêm relações com diferentes candidaturas proporcionais.
O Progressistas apresenta situação semelhante, com lideranças que participam das articulações estaduais e possuem vínculos com parlamentares de diferentes regiões.
No campo de apoio à candidatura de Juliana Brizola, PT, PDT, PSB e aliados também organizam suas campanhas.
Em entrevista ao Folha News, Alaor Scariot, do PT, abordou a mobilização partidária e o trabalho conjunto entre essas siglas. A vereadora Paula Castilhos também apresentou suas considerações sobre o cenário político e as perspectivas partidárias.
A questão é compreender como os compromissos estaduais e nacionais se relacionam com as alianças e diferenças existentes na política municipal.
E OS DEMAIS PARLAMENTARES?
A disputa não se limita aos candidatos com origem ou residência na região. Parlamentares que mantêm vínculos com Lagoa Vermelha também participam das articulações eleitorais.
Nomes como Paparico Bacchi, Guilherme Pasin, Covatti Filho, Marcon e Sanderson integram esse cenário, cada qual com sua trajetória e relações políticas.
No caso de Guilherme Pasin, por exemplo, sua ligação familiar com Ibiraiaras e o apoio de lideranças locais demonstram como os vínculos regionais podem ser construídos de diferentes maneiras.
O eleitorado terá diante de si candidaturas com experiências parlamentares, administrativas e políticas distintas. A comparação entre propostas, atuação anterior e compromissos apresentados durante a campanha integra esse processo de escolha.
O HOSPITAL SERÁ PRIORIDADE?
Entre os assuntos abordados nas entrevistas do Folha News, a situação do Hospital São Paulo aparece de maneira recorrente. Candidatos de diferentes partidos manifestaram preocupação com a instituição, seus serviços e a necessidade de recursos para a manutenção e ampliação do atendimento.
A discussão ultrapassa Lagoa Vermelha, considerando a importância do hospital para os municípios da região. A saúde também evidencia a necessidade de articulação entre os governos municipal, estadual e federal. Os compromissos apresentados durante a campanha poderão ser acompanhados posteriormente, independentemente dos resultados eleitorais. O mesmo raciocínio se aplica às reivindicações relacionadas à BR-470, às estradas estaduais, à agricultura e ao desenvolvimento econômico regional.
E DEPOIS DAS URNAS?
As eleições de outubro também poderão produzir reflexos na política municipal. A votação dos candidatos apoiados pelas lideranças locais oferecerá informações sobre a mobilização dos diferentes grupos partidários. Entretanto, os resultados de uma eleição geral não podem ser automaticamente transferidos para uma disputa municipal. As circunstâncias, as candidaturas e os interesses envolvidos são diferentes.
Para Lagoa Vermelha e a região, permanecerão as demandas por investimentos, serviços públicos e desenvolvimento econômico. A eleição definirá os representantes que participarão das decisões estaduais e nacionais nos próximos anos. Caberá à sociedade acompanhar sua atuação, examinar os compromissos assumidos e participar do debate público. No dia 4 de outubro, cada eleitor fará suas escolhas. Depois das urnas, a política continuará presente na vida dos municípios, nas relações institucionais e nas decisões que influenciam o futuro de nossas comunidades.
ELEITORADO DE CAPÃO BONITO
DO SUL CRESCE, MAS ENVELHECE
Capão Bonito do Sul chega às eleições de 2026 com mais pessoas aptas a votar, mas também com um eleitorado mais velho. Segundo levantamento da coluna com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o município passou de 2.038 eleitores em 2022 para 2.118 neste ano, um crescimento de 80 registros, equivalente a 3,93%.
O número de eleitores com 60 anos ou mais subiu de 539 para 637. Esse grupo, que representava 26,45% do eleitorado em 2022, agora corresponde a 30,08%. Somente entre as pessoas com 70 anos ou mais, o total passou de 263 para 297 eleitores.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, ocorreu o movimento inverso: o total caiu de 232 para 207 eleitores. Sua participação passou de 11,38% para 9,77%. Ao considerar a faixa de 16 a 29 anos, a redução foi de 414 para 379 registros.
Um dado resume a mudança: o grupo com 60 anos ou mais ganhou 98 eleitores, número superior ao crescimento de 80 registrado no município inteiro. Já o conjunto de eleitores com menos de 60 anos diminuiu em 18 pessoas.
A comparação considera os dados oficiais extraídos pelo TSE em agosto de 2022 e julho de 2026. Os números se referem a pessoas aptas a votar e não indicam quantas comparecerão às urnas.


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