COLUNISTAS
18/09/2026
REPRESENTATIVIDADE QUE CONTA
Em política, representatividade também é presença. Lagoa Vermelha vive hoje uma situação que merece ser observada sob esse aspecto: o município conta com um deputado estadual diretamente identificado com a cidade, Ronaldo Santini, atualmente no Podemos e no exercício de mandato na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
Independentemente de preferência partidária ou eleitoral, ter um parlamentar da terra significa possuir um canal direto de interlocução com o Parlamento gaúcho, o Governo do Estado e diferentes estruturas públicas. Não significa, evidentemente, que obras e recursos estejam automaticamente assegurados. Significa, porém, ter uma voz presente no ambiente em que demandas são apresentadas, negociadas e encaminhadas.
Esse quadro ganha ainda mais relevância quando observamos municípios maiores, como Passo Fundo e Vacaria, que neste momento não possuem representação parlamentar própria nos mesmos moldes. É uma demonstração de que tamanho populacional ou importância econômica, por si só, não garantem cadeira no Parlamento. É preciso voto, estrutura partidária, articulação regional e capacidade de construir uma base eleitoral.
REPRESENTAÇÃO TAMBÉM
É RESPONSABILIDADE
Ter representação, contudo, aumenta também a responsabilidade. Quanto maior a presença política de um município, maior deve ser a cobrança sobre quem exerce o mandato.
Santini chega à eleição de 2026 na condição de deputado estadual em exercício e busca a renovação do mandato. É, portanto, uma situação diferente das demais candidaturas regionais analisadas nesta coluna. Ele não parte apenas de uma intenção eleitoral, mas de uma cadeira já ocupada e de uma atuação que pode ser medida pelo eleitor.
A avaliação deve passar pela capacidade de defender pautas regionais, articular investimentos, encaminhar reivindicações e apresentar resultados. Essa é uma análise institucional, não eleitoral: representação é importante, mas precisa ser acompanhada de prestação de contas e resultados.
MACARI VOLTA À DISPUTA FEDERAL
Outro nome de Lagoa Vermelha novamente presente na disputa é Pedro Macari, que confirmou no dia 11 de setembro sua candidatura a deputado federal pelo PSDB.
Macari não é estreante. Seu histórico eleitoral é longo e permite uma análise baseada em números. Em 1994, concorreu a deputado estadual pelo então PFL e alcançou 5.496 votos, ficando na suplência. Em 1996, disputou uma vaga de vereador em Lagoa Vermelha e obteve 387 votos. Quatro anos depois, voltou à eleição municipal e recebeu 313.
Após um período sem disputar eleições, retornou em 2018, dessa vez como candidato a deputado federal pela Democracia Cristã. Somou 2.053 votos no Rio Grande do Sul, dos quais 1.228 vieram de Lagoa Vermelha. Quase 60% de sua votação estadual, portanto, foi obtida dentro do próprio município.
Em 2022, já pelo PSDB, Macari voltou à disputa federal. Recebeu 1.269 votos no Estado. Destes, 865 foram conquistados em Lagoa Vermelha, onde terminou como o terceiro candidato a deputado federal mais votado. Naquele pleito, Covatti Filho recebeu 4.000 votos no município, Maurício Dziedricki 1.134 e Macari 865.
Mais recentemente, em 2024, tentou retornar à Câmara de Vereadores de Lagoa Vermelha. Recebeu 144 votos e não foi eleito.
O DESAFIO DOS NÚMEROS
A retrospectiva mostra com clareza o tamanho do desafio. Entre as eleições federais de 2018 e 2022, a votação estadual de Macari caiu de 2.053 para 1.269 votos, redução aproximada de 38%. Em Lagoa Vermelha, passou de 1.228 para 865, queda próxima de 30%.
Ao mesmo tempo, os números revelam que ele mantém uma base local identificável. Em 2022, cerca de 68% de toda sua votação no Estado saiu de Lagoa Vermelha. Esse dado é importante porque demonstra força concentrada, mas também expõe o principal obstáculo de qualquer candidatura federal de perfil local: romper as fronteiras do município.
Para tornar-se mais competitivo em 2026, Macari precisará ampliar sua votação regional e estadual. Numa eleição proporcional, ainda haverá outro componente decisivo: o desempenho do PSDB e de sua federação.
Não cabe afirmar hoje se sua candidatura é forte, fraca, viável ou inviável. A leitura jornalística que os números permitem é mais simples: Macari já possui um histórico mensurável, e o resultado de 2026 mostrará se conseguiu ampliar ou não o alcance de uma candidatura que, até aqui, teve forte concentração em Lagoa Vermelha.
FELIPPE RIETH: DO
MUNICÍPIO À CÂMARA FEDERAL
Felippe Junior Rieth, do PDT, vive situação diferente. Natural de Lagoa Vermelha, construiu sua carreira política principalmente em Capão Bonito do Sul e disputa pela primeira vez uma eleição para deputado federal.
Seu retrospecto municipal é expressivo. Em 2012, integrou como viceprefeito a chapa liderada por Danilo Barreto da Costa, eleita com 1.059 votos, ou 61,64% dos válidos. Entre 2013 e 2016, exerceu a vice-prefeitura.
Em 2016, candidatou-se a prefeito e venceu com 944 votos, equivalentes a 54,88% dos válidos. Quatro anos depois, foi reeleito com resultado ainda mais amplo: 1.331 votos, ou 74,61%, contra 453 da adversária.
São, portanto, três participações em chapas majoritárias municipais e três vitórias.
O dado é politicamente relevante, mas precisa ser colocado em perspectiva. Uma eleição em Capão Bonito do Sul, município de pequeno porte, é completamente diferente de uma disputa por uma das vagas gaúchas na Câmara dos Deputados.
Felippe chega a 2026 sem votação estadual anterior que permita comparação. Seu capital político está na experiência como vice-prefeito, nos oito anos como prefeito e nas relações construídas com lideranças municipais e regionais. Também teve participação em entidades municipalistas, ampliando sua rede de contatos fora do município.
Agora, o teste é outro: transformar reconhecimento municipal e inserção regional em votos distribuídos por diferentes cidades. O resultado de 2026 será a primeira medida concreta da capacidade de Rieth de regionalizar uma liderança que, até aqui, foi validada sobretudo em Capão Bonito do Sul.
ANDRÉ OLIVEIRA: UMA
TRAJETÓRIA JÁ TESTADA
André Cassio da Silva Oliveira, candidato a deputado estadual pelo PSB, apresenta outro perfil. Natural de Lagoa Vermelha e com trajetória política também ligada a Capão Bonito do Sul, ele já possui experiência em eleições proporcionais para deputado.
Sua vida eleitoral começou em 2004, quando concorreu a vereador em Capão Bonito do Sul e recebeu 24 votos. Em 2008, voltou à disputa e foi eleito com 76 votos. Em 2012, fez 47 e ficou na suplência. Em 2020, obteve 55 votos.
Mas André também já testou seu nome em eleições estaduais e federais. Em 2010, pelo PCdoB, concorreu a deputado federal e recebeu 1.244 votos no Estado. Lagoa Vermelha respondeu por 464 votos e Capão Bonito do Sul por 252.
Em 2018, disputou uma cadeira na Assembleia Legislativa e obteve 948 votos. Lagoa Vermelha novamente foi seu principal reduto, com 449 votos, seguida por Capão Bonito do Sul, com 128, Vacaria, com 78, e Ibiraiaras, com 77.
Em 2022, então pelo Avante, voltou à disputa para deputado federal. Recebeu 523 votos no Estado, dos quais 169 em Lagoa Vermelha e 71 em Capão Bonito do Sul.
A sequência - 1.244 votos em 2010, 948 em 2018 e 523 em 2022 - precisa ser analisada com cautela, porque envolve cargos e partidos diferentes. Ainda assim, mostra uma trajetória que já foi colocada à prova fora das eleições municipais e que teve, até aqui, forte peso de Lagoa Vermelha e municípios próximos.
Em 2026, André está no PSB e recebe o apoio da estrutura partidária local em Lagoa Vermelha, que também trabalha com Beto Albuquerque para deputado federal. O desafio será verificar se essa nova composição política conseguirá ampliar uma base que, nas eleições anteriores, permaneceu essencialmente regional.
IDIANESA: PRIMEIRO TESTE ESTADUAL
Idianesa de Bispo Godinho Gregolon, do MDB, representa outra situação. Vereadora de Capão Bonito do Sul, ela disputa pela primeira vez uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Sua trajetória eleitoral é recente. A primeira participação nas urnas ocorreu em 2024, quando concorreu a vereadora e recebeu 110 votos, correspondentes a 5,74% da votação para o Legislativo municipal. Foi eleita pelo critério da média e passou a integrar a Câmara na legislatura 2025 - 2028.
É uma estreia municipal vitoriosa, mas 2026 apresenta um salto considerável. Em vez de buscar votos em apenas um município, Idianesa passa a disputar o eleitorado de todo o Rio Grande do Sul.
Os 110 votos obtidos em 2024 não permitem qualquer projeção segura sobre sua performance es
tadual. Servem, no entanto, como ponto inicial para medir a existência de uma base em Capão Bonito do Sul.
Sua candidatura também mostra um fato curioso: um município pequeno apresenta neste pleito nomes tanto para a Câmara Federal quanto para a Assembleia. Felippe Rieth parte de uma longa experiência no Executivo municipal; Idianesa inicia sua expansão política depois de conquistar uma cadeira no Legislativo local.
CINCO TRAJETÓRIAS,
UMA MESMA DISCUSSÃO
O quadro regional de 2026 reúne, portanto, trajetórias muito diferentes.
Ronaldo Santini busca renovar um mandato estadual já conquistado e exercido. Pedro Macari retorna a uma disputa federal com histórico suficiente para que sua evolução eleitoral seja comparada. Felippe Rieth deixa o ambiente das eleições municipais depois de três vitórias consecutivas e realiza seu primeiro teste em nível federal. André Oliveira volta a uma disputa proporcional carregando resultados anteriores que permitem medir sua presença regional. Idianesa Gregolon estreia numa eleição estadual depois de ter sido eleita vereadora em sua primeira experiência nas urnas.
Não são candidaturas comparáveis em estrutura, experiência ou votação. Mas todas conduzem a uma mesma reflexão: para Lagoa Vermelha, Capão Bonito do Sul e os municípios próximos, conquistar representação parlamentar significa aumentar a capacidade de interlocução política da região.
Isso, porém, não se constrói apenas com discurso. Exige votos, articulação, presença regional, estrutura partidária e capacidade de ultrapassar as fronteiras de um único município.
Depois das urnas, os números permitirão avaliar quem conseguiu ampliar sua base, quem manteve seu espaço e quem conseguiu transformar liderança local em presença regional ou estadual.
Até lá, cabe à imprensa registrar os movimentos, recuperar os dados e oferecer ao leitor elementos para compreender cada candidatura sem transformar análise em propaganda. É esse equilíbrio que uma coluna política deve buscar, especialmente em período eleitoral.
CABOS ELEITORAIS: CADÊ O ENTUSIASMO?
Uma constatação desta campanha em Lagoa Vermelha é a aparente falta daquele envolvimento mais intenso que, em outras eleições, caracterizava parte dos cabos eleitorais. Evidentemente, não se pode generalizar. Mas chama atenção ouvir relatos de pessoas que trabalham para determinado candidato e admitem que seu voto irá para outro. É uma situação curiosa. O cabo eleitoral deveria, em tese, conhecer, defender e transmitir as propostas de quem representa. Quando nem ele demonstra convicção, surge uma pergunta inevitável: até que ponto esse trabalho efetivamente conquista votos? Não há como medir o impacto individual, mas certamente a falta de identificação pode comprometer a própria mensagem que o candidato pretende levar às ruas.
ADMILSON APOSTA EM LUCIANO AZEVEDO
Em conversa na quarta-feira, 16 de setembro, o secretário municipal de Obras e Viação, Admilson Ferreira da Silva, do PSD, demonstrou confiança no desempenho eleitoral de Luciano Azevedo.
E a confirmação: Luciano concorre em 2026 a deputado federal pelo PSD. Ex-prefeito de Passo Fundo por dois mandatos, foi vereador por três legislaturas e deputado estadual duas vezes. Na atual legislatura, chegou à Câmara Federal como suplente, exercendo o mandato em períodos entre março de 2023 e outubro de 2024. A manifestação de Admilson revela também onde estará uma parcela importante da mobilização do PSD lagoense neste pleito.
LORENZONI EM LAGOA VERMELHA
O secretário municipal Ivan José Galvani Barreto, integrante do PL, recebeu em sua residência Rodrigo Lorenzoni e seu pai, Onyx Lorenzoni, hoje filiados ao Progressistas. O encontro contou também com a participação do vereador Viego Santos, do PL. Como esta coluna já havia registrado, Ivan e integrantes do PL lagoense mantêm proximidade e apoio político ao grupo dos Lorenzoni, mesmo após a mudança partidária de pai e filho. O encontro reforça essa ligação em plena campanha de 2026.
PAI E FILHO NAS URNAS
Rodrigo Lorenzoni busca a reeleição à Assembleia Legislativa. Em 2018, ainda pelo DEM, recebeu 16.895 votos e ficou na suplência. Quatro anos depois, pelo PL, ampliou significativamente sua votação: foram 85.692 votos, resultado que lhe garantiu uma cadeira no Parlamento gaúcho. Em 2026, concorre pelo PP. Onyx, por sua vez, retorna à disputa para deputado federal. Sua trajetória inclui dois mandatos de deputado estadual e cinco legislaturas consecutivas na Câmara Federal, a partir de 2003. Durante o governo Bolsonaro, ocupou os ministérios da Casa Civil, Cidadania, Secretaria-Geral da Presidência e Trabalho e Previdência. Em 2022, disputou o Governo do Estado; agora tenta retornar à Câmara dos Deputados, também pelo PP.


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