De acordo com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Lagoa Vermelha está entre os municípios que apresentam melhor gestão de finanças do Estado do Rio Grande do Sul. O Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF), divulgado na última quinta-feira (21) a partir de dados da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), mostra que o município apresentou uma gestão fiscal excelente em 2019 e 2020, alcançando 1° lugar no Estado em 2019 e permanecendo entre os 20 melhores em 2020.
A reportagem da FOLHA ouviu o secretário da Fazenda, Rodrigo Tochetto sobre o assunto.
Folha - A que o senhor atribui os resultados alcançados nos anos de 2019 e 2020 no índice Firjan?
Tochetto - Quando assumi em 2017, tinha um grande desafio, transformar recursos em investimento, cuidar da gestão orçamentária e financeira do município. O índice de 2018 infelizmente não refletiu a realidade devido a alguns ajustes contábeis, corrigimos esses dados, porém os índices não foram atualizados. Em 2019 e 2020 os resultados foram apresentados, mostrando a realidade da gestão fiscal, onde sempre trabalhamos com comprometimento e muita dedicação, buscando sempre o melhor para Lagoa Vermelha.
No ano de 2020, onde se conheceu os índices de 2018, por um erro de computação de dados, Lagoa Vermelha recebeu inúmeras críticas por estar numa posição abaixo do esperado. Na época, como o senhor encarou essas críticas?
Recebo sempre as críticas de forma tranquila, tanto que não respondi as fofocas e inverdades contadas. Busquei ir atrás dos dados e entender o que havia acontecido e sempre busquei junto com a controladoria geral resolver os dados lançados. O que me surpreendeu foram pessoas que teoricamente ‘’conheciam’’ o funcionamento da prefeitura, saírem espalhando informações de qualquer forma.
O senhor entendia que essas críticas tiveram cunho político, pois naquele período antecedia a eleição municipal?
Acredito que sim, a administração anterior sempre falou que a gestão fiscal deles era boa. Devido a pandemia os resultados de 2019 e 2020 demoraram a sair, então se basearam em dados de 2018 que ainda estavam sendo corrigidos e levaram aqueles dados como regra, sem olhar o resto, sem avaliar ou comparar o que estava no Tribunal de Contas, como por exemplo a despesa com pessoal, onde em entrevista uma das pessoas de mais influência da oposição lançou que o município estaria quebrado nos próximos anos pois o índice de pessoal estava alta e era isso que tinha quebrado o estado e etc. Não sei se por maldade ou falta de conhecimento, faltou para essa pessoa olhar no site do TCE e ver que o índice de pessoal estava mais baixo que nos últimos 4 anos da gestão anterior em 35,72% da Receita Corrente Liquida.
Costumeiramente a bancada de oposição ao governo de Gustavo Bonotto acusa administração de não ter uma política eficiente em gestão fiscal, de que forma o senhor avalia as reiteradas críticas?
Como eu disse antes, era uma coisa que sempre se vangloriavam, acho que ver que outras pessoas administrando de forma igual ou melhor acabou deixando um sentimento de frustração. Onde acabam atacando de qualquer forma, cito como exemplo o ano de 2019, onde os vereadores da oposição foram a uma emissora de rádio, espalharam dados retirados do portal da transparência alegando que a prefeitura estava quebrada e não teria dinheiro para pagamento da folha, criaram um cenário de terrorismo, tive que dar explicação na imprensa, falar sobre os dados retirados do portal, isso tudo no mesmo ano que fomos atingidos por dois temporais que devastou mais da metade da cidade. E vejam só, em 2019 ficamos em primeiro lugar em gestão fiscal no estado e 22° no Brasil. Isso prova o quão errado estavam.
Qual é o segredo para Lagoa Vermelha estar entre as 20 cidades com melhores índices em gestão fiscal do estado do Rio Grande do Sul?
Não tem segredo, o que faz isso acontecer é toda uma equipe técnica, dedicada, com conhecimento, onde trocamos ideias e buscamos os melhores resultados para a cidade.
De que forma foi possível aumentar tanto o índice de investimento em relação a outros governos?
Acredito que a palavra para isso é ‘’comprometimento’’, fomos questionados também por reduzir os valores em caixa, temos que ter na cabeça que o dinheiro é público está lá para investir, ampliar serviços. Trabalhamos com um fluxo de caixa de segurança para em caso de emergência como ocorreu no final de 2019. Porém entendemos que o dinheiro público deve ser aplicado na população e não ficar fazendo poupança para tirar foto. Nossos índices de investimentos são os melhores dos últimos 8 anos, chegando em agosto de 2021 a 16,14% da receita total investida no ano, a tabela que encaminho dá para ver claramente o nível de investimento dos últimos anos.
Quais serão as prioridades da Secretaria da Fazenda neste segundo mandato de Gustavo Bonotto?
Para o segundo mandato, continuaremos administrando de forma responsável, buscando os objetivos e metas do governo. A prioridade nesse segundo mandato é a estruturação da central de compras e distribuição, a qual será responsável pela centralização das compras, redução no prazo médio de pagamento de fornecedores, agilidade no tombamento de produtos, controle de estoque administrativo e controle das compras de produtos e preços. Reduzindo custos e otimizando processos.
Em relação à instalação de novas empresas, o senhor vê a participação direta ou indireta do município na vinda das mesmas?
Uma das coisas que mostra o crescimento de um município é a vinda de investimentos de fora e de reinvestimento pelos empreendedores locais, quando isso acontece é pela confiança na região, no local onde estão sendo instaladas essas empresas e isso é reflexo sim, da forma de gestão, de investir e de auxiliar o empreendedor.
O senhor se considera um secretário político ou técnico? Explique.
Durante os quase 5 anos à frente da pasta da secretaria da Fazenda, sempre me cobrei por não divulgar muito os trabalhos da secretaria, pois sempre baixei a cabeça e fui em busca de resultados, os quais no decorrer desse período foram demonstrados, como quando ficamos em primeiro lugar no Programa de Integração Tributária atingindo a maior pontuação possível. Quando fomos eleitos polo de educação fiscal do estado, altos níveis de investimento, baixo índice de despesas com pessoal, reestruturação do atendimento da secretaria, coordenando a troca de todo o sistema operacional da prefeitura, estruturando o setor de regularização fundiária, aumento nos índices de ICMS, mudança na modalidade dos pagamentos a fornecedores, criação e aprimoramento de dados e relatórios gerenciais objetivando a melhor tomada de decisão, ainda, passamos por diversos desastres naturais e uma das maiores crises mundiais já conhecidas. Isso, sem atrasar pagamentos e agora os resultados também são demonstrados através da divulgação dos índices de Gestão Fiscal.
Considerações finais
Quando entrei em 2017, diziam que quebraria a prefeitura, que não teríamos capacidade para gerir a ‘’mega sena’’ deixada pelo ex-prefeito, foram criadas mentiras em 2019 dizendo que não teríamos dinheiro para fechar o ano, geraram o caos na prefeitura dizendo que não pagaríamos a folha, que fornecedores não receberiam, fomos acusados de utilizar mal o dinheiro público, até um dia em uma sessão da Câmara, questionaram minha credibilidade, porém enquanto tentavam criar o caos e desmoralizar a imagem da administração, nós estávamos trabalhando, buscando pelo melhor, buscando por resultados.
Cada um tem uma visão diferente, uns acham que gestão é guardar dinheiro, outros acham que gestão é investir, mudar processos, trabalhar em prol de um objetivo. Cada um dentro dos seus ideais e projetos. Acredito que temos que ter respeito pela forma de cada um administrar.
Por fim, não posso deixar de fazer um agradecimento, a cada funcionário da secretaria da Fazenda, por esses 5 anos, os quais sempre se comprometeram em fazer o seu melhor e que se os resultados estão sempre aparecendo, o mérito é de todos.