Governo anuncia intenção de vender controle acionário da Corsan


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Foto: Felipe Dalla Valle/Palácio Piratini 18/03/2021

Em um anúncio virtual nesta quinta-feira (18/3), o governador Eduardo Leite oficializou a intenção em abrir capital e vender controle acionário da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), atualmente responsável pelo abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos em 317 municípios gaúchos.
O objetivo da desestatização é preparar a empresa para cumprir as novas exigências do Marco Legal do Saneamento, ampliando a capacidade financeira da empresa para dar conta de investimentos de R$ 10 bilhões.
“Vamos buscar junto à Assembleia o apoio para percorrer rapidamente o processo legislativo que vai disciplinar a desestatizac¸a~o. Pretendemos fazer o IPO (abertura de capital) da Corsan, capitalizar a companhia e vender ações. O governo do Estado deixara´ de ser o controlador, mas vai manter posição como acionista de refere^ncia. E será como acionista que o governo do Estado continuará presente na definic¸a~o dos destinos da companhia”, anunciou o governador.
Para definir o novo regime jurídico, o governo conta com a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 280/2019), de autoria do deputado estadual Sérgio Turra, que tramita na Assembleia Legislativa e retira a obrigação de plebiscito para privatização de estatais que ainda dependem da consulta popular (Corsan, Banrisul e Procergs). Essa aprovação é fundamental para que o governo dê o passo seguinte, que é propor um projeto de lei que discipline a desestatização.
A partir disso, o Estado pretende fazer a abertura de capital (IPO) com a alienação de mais de 50% do capital, havendo uma estimativa inicial de realização em outubro e previsão de capitalização para investimentos na empresa da ordem de R$ 1 bilhão, ou seja, recursos para investimento na própria Corsan. O objetivo, com isso, é alavancar e acelerar investimentos em saneamento no RS, atendendo ao interesse público por esse serviço e, com a capitalização, aumentar o interesse privado na compra de ações.
O percentual que ficará com Estado ainda será avaliado no processo de modelagem, mas deve ser em torno de 30%. Isso deverá garantir que o Executivo, mesmo não sendo mais o controlador da companhia, fique sendo o maior acionista individual da empresa e ajudando a tomar as decisões sobre o futuro da Corsan.
“A nova Corsan que ira´ nascer deste processo sera´ uma companhia com maior capacidade financeira para atrair R$ 10 bilhões em investimentos, que vão multiplicar obras pelo Estado nos pro´ximos anos, gerando diretamente milhares de empregos e destravando o potencial construtivo de muitas regiões. Estas obras, certamente, irão impulsionar a construção civil e gerar outros milhares de empregos indiretamente”, destacou Leite.
O governador lembrou que, durante a campanha ao governo do Estado, em 2018, se disse contrário à desestatização da companhia. Conforme ele, pela regra federal vigente naquele momento, se Corsan deixasse de ser pública, os contratos com os municípios poderiam perder a validade. Por isso, promover parcerias público-privadas (PPPs), tendo parceiros privados, era o melhor caminho para fazer avançar mais rapidamente os investimentos nos municípios.
No entanto, o novo Marco Legal do Saneamento Básico, aprovado pelo Congresso no ano passado, extingue os chamados contratos de programa, firmados, sem licitação, entre municípios e empresas estaduais de saneamento. Esses acordos, atualmente, são firmados com regras de prestação de tarifação, mas sem concorrência. Com a nova lei (nº 14.026), abre-se espaço para os contratos de concessão e torna obrigatória a abertura de licitação, podendo, então, concorrer à vaga prestadores de serviço públicos e privados.
Além disso, o novo marco do setor ampliou o poder e o dever das cidades em relac¸a~o aos compromissos de universalizac¸a~o do sistema. Os municípios e as concessiona´rias agora te^m a obrigação legal de, ate´ 2033, tratar 90% do esgoto e levar a´gua tratada a 99% da sua populac¸a~o.

“Muito embora tenha investido o maior valor da sua histo´ria em 2020 com um aporte de R$ 417 milho~es na ampliac¸a~o das suas estruturas, o fato e´ que a Corsan na~o tem capacidade financeira para dar conta destas novas exige^ncias de universalizac¸a~o. Para cumprir o que determina o novo marco legal do saneamento, seria necessa´rio, no mínimo, triplicar o ni´vel atual de investimento da Corsan”, afirmou Leite.
Atualmente, o Rio Grande do Sul está abaixo dos dos ni´veis de outros Estados na prestac¸a~o dos servic¸os de saneamento. Apenas 32,3% da população gaúcha tem acesso a esgoto tratado. Em Sa~o Paulo, por exemplo, este percentual é de 90,3%.
“Eu sei que, mesmo tendo explicado os motivos, interesses e adversários individuais irão me atacar por não cumprir com o que manifestei em 2018. Mas prefiro arcar com o prejuízo político, que é individual, é meu, do que causar enorme prejuízo ao patrimônio público e à qualidade de vida das pessoas se deixasse, diante da mudança das regras, a Corsan perder seus contratos de concessão. Acreditem: a questão mais importante agora não é sobre o que eu disse no passado. É sobre o que estamos fazendo para o futuro. E o que estamos fazendo com a Corsan é o melhor para ela, para os municípios, para as pessoas e para todo o Rio Grande”, concluiu o governador no vídeo.
Diretor-presidente da Corsan, Roberto Barbuti fez uma manifestação direcionada aos funcionários e colaboradores da companhia. “O setor está passando por uma transformação como nunca vista, o que cria um risco substancial para a companhia. (Com esse movimento do governo) está sendo dado um voto de confiança para que a Corsan venha a ser uma empresa muito mais forte, se torne referência nacional de fato em saneamento. Se tem todas as condições para a empresa liderar, sair na frente e se tornar essa referência. Estou extremamente convencido da solidez do plano, baseado numa governança corporativa muito forte, e faremos tudo com muita transparência. Queria reforçar que é uma grande oportunidade para todos. É um momento de transformação”, afirmou Barbuti.

Em um anúncio virtual nesta quinta-feira (18/3), o governador Eduardo Leite oficializou a intenção em abrir capital e vender controle acionário da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), atualmente responsável pelo abastecimento de água e coleta e tratamento de esgotos em 317 municípios gaúchos.
O objetivo da desestatização é preparar a empresa para cumprir as novas exigências do Marco Legal do Saneamento, ampliando a capacidade financeira da empresa para dar conta de investimentos de R$ 10 bilhões.
“Vamos buscar junto à Assembleia o apoio para percorrer rapidamente o processo legislativo que vai disciplinar a desestatizac¸a~o. Pretendemos fazer o IPO (abertura de capital) da Corsan, capitalizar a companhia e vender ações. O governo do Estado deixara´ de ser o controlador, mas vai manter posição como acionista de refere^ncia. E será como acionista que o governo do Estado continuará presente na definic¸a~o dos destinos da companhia”, anunciou o governador.
Para definir o novo regime jurídico, o governo conta com a votação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 280/2019), de autoria do deputado estadual Sérgio Turra, que tramita na Assembleia Legislativa e retira a obrigação de plebiscito para privatização de estatais que ainda dependem da consulta popular (Corsan, Banrisul e Procergs). Essa aprovação é fundamental para que o governo dê o passo seguinte, que é propor um projeto de lei que discipline a desestatização.
A partir disso, o Estado pretende fazer a abertura de capital (IPO) com a alienação de mais de 50% do capital, havendo uma estimativa inicial de realização em outubro e previsão de capitalização para investimentos na empresa da ordem de R$ 1 bilhão, ou seja, recursos para investimento na própria Corsan. O objetivo, com isso, é alavancar e acelerar investimentos em saneamento no RS, atendendo ao interesse público por esse serviço e, com a capitalização, aumentar o interesse privado na compra de ações.
O percentual que ficará com Estado ainda será avaliado no processo de modelagem, mas deve ser em torno de 30%. Isso deverá garantir que o Executivo, mesmo não sendo mais o controlador da companhia, fique sendo o maior acionista individual da empresa e ajudando a tomar as decisões sobre o futuro da Corsan.
“A nova Corsan que ira´ nascer deste processo sera´ uma companhia com maior capacidade financeira para atrair R$ 10 bilhões em investimentos, que vão multiplicar obras pelo Estado nos pro´ximos anos, gerando diretamente milhares de empregos e destravando o potencial construtivo de muitas regiões. Estas obras, certamente, irão impulsionar a construção civil e gerar outros milhares de empregos indiretamente”, destacou Leite.
O governador lembrou que, durante a campanha ao governo do Estado, em 2018, se disse contrário à desestatização da companhia. Conforme ele, pela regra federal vigente naquele momento, se Corsan deixasse de ser pública, os contratos com os municípios poderiam perder a validade. Por isso, promover parcerias público-privadas (PPPs), tendo parceiros privados, era o melhor caminho para fazer avançar mais rapidamente os investimentos nos municípios.
No entanto, o novo Marco Legal do Saneamento Básico, aprovado pelo Congresso no ano passado, extingue os chamados contratos de programa, firmados, sem licitação, entre municípios e empresas estaduais de saneamento. Esses acordos, atualmente, são firmados com regras de prestação de tarifação, mas sem concorrência. Com a nova lei (nº 14.026), abre-se espaço para os contratos de concessão e torna obrigatória a abertura de licitação, podendo, então, concorrer à vaga prestadores de serviço públicos e privados.
Além disso, o novo marco do setor ampliou o poder e o dever das cidades em relac¸a~o aos compromissos de universalizac¸a~o do sistema. Os municípios e as concessiona´rias agora te^m a obrigação legal de, ate´ 2033, tratar 90% do esgoto e levar a´gua tratada a 99% da sua populac¸a~o.

“Muito embora tenha investido o maior valor da sua histo´ria em 2020 com um aporte de R$ 417 milho~es na ampliac¸a~o das suas estruturas, o fato e´ que a Corsan na~o tem capacidade financeira para dar conta destas novas exige^ncias de universalizac¸a~o. Para cumprir o que determina o novo marco legal do saneamento, seria necessa´rio, no mínimo, triplicar o ni´vel atual de investimento da Corsan”, afirmou Leite.
Atualmente, o Rio Grande do Sul está abaixo dos dos ni´veis de outros Estados na prestac¸a~o dos servic¸os de saneamento. Apenas 32,3% da população gaúcha tem acesso a esgoto tratado. Em Sa~o Paulo, por exemplo, este percentual é de 90,3%.
“Eu sei que, mesmo tendo explicado os motivos, interesses e adversários individuais irão me atacar por não cumprir com o que manifestei em 2018. Mas prefiro arcar com o prejuízo político, que é individual, é meu, do que causar enorme prejuízo ao patrimônio público e à qualidade de vida das pessoas se deixasse, diante da mudança das regras, a Corsan perder seus contratos de concessão. Acreditem: a questão mais importante agora não é sobre o que eu disse no passado. É sobre o que estamos fazendo para o futuro. E o que estamos fazendo com a Corsan é o melhor para ela, para os municípios, para as pessoas e para todo o Rio Grande”, concluiu o governador no vídeo.
Diretor-presidente da Corsan, Roberto Barbuti fez uma manifestação direcionada aos funcionários e colaboradores da companhia. “O setor está passando por uma transformação como nunca vista, o que cria um risco substancial para a companhia. (Com esse movimento do governo) está sendo dado um voto de confiança para que a Corsan venha a ser uma empresa muito mais forte, se torne referência nacional de fato em saneamento. Se tem todas as condições para a empresa liderar, sair na frente e se tornar essa referência. Estou extremamente convencido da solidez do plano, baseado numa governança corporativa muito forte, e faremos tudo com muita transparência. Queria reforçar que é uma grande oportunidade para todos. É um momento de transformação”, afirmou Barbuti.

Fonte: Jornalismo - Folha do Nordeste

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