COLUNISTAS

17/07/2026

ASSUNTO DA SEMANA
A semana foi agitada em Lagoa Vermelha. Tudo por conta da denúncia que brotou da sessão de segunda-feira da Câmara de Vereadores, através do vereador Ariovaldo da Silva. De posse de cópia de um contrato, trouxe para a opinião pública o fato de que o funcionário cedido pelo município para a Fundação Araucária para trabalhar no Hospital São Paulo estaria recebendo um salário de 15 mil reais. Continuou recebendo normalmente do município e passou a contar com mais esse polpudo salário. 
 
SILÊNCIO ENSURDECEDOR
Vereadores da oposição soltaram o verbo.
- O silêncio dos colegas (base do prefeito) é ensurdecedor. A moral foi colocada no chão. Ou seja, tem um contrato assinado pelo servidor em que ele é remunerado com 15 mil reais pela Fundação Araucária, além do salário que é pago pelo município. Queremos investigar esse contrato. Nem um raio X foi realizado num final de semana porque o hospital não tinha operador por não querer pagar hora extra porque não tinha dinheiro. Porque não tem copo, porque não tem maca, porque os honorários dos médicos não estão sendo pagos, porque o FGTS dos funcionários do hospital não está sendo pago. No entanto, um servidor do município estaria recebendo 15 mil reais por mês. Gente, é gravíssimo! - manifestou Ariovaldo da Silva.
 
ILEGAL
Vereador Ranyeri Bozza também foi incisivo.
- Aqui, provavelmente - digo provavelmente porque tem que dar a esse cidadão o direito de defesa e à Fundação Araucária o direito de se manifestar - mas quero dizer que, provavelmente, isso é um crime. Eu, Ranyeri Bozza, não posso receber da prefeitura e receber da Fundação Araucária para prestar o mesmo serviço, no mesmo local, ao mesmo tempo. Eu, Ranyeri, depois de cedido pelo município, não posso influenciar na contratação de mim mesmo para prestar serviço para uma fundação filantrópica que recebe recursos públicos. Isso é ilegal. Três anos recebendo salário de 15 mil reais da Fundação Araucária e mais o salário de servidor público da prefeitura. Isso é um escárnio!
 
NEM COPO TEM
Vereadora Paula Castilhos seguiu na mesma linha de seus colegas de oposição.
- Nós temos a cedência de um colega (vereadora é servidora municipal) para auxiliar na gestão do hospital. E para isso recebe salário do município. Qual o objetivo desse servidor ir para o hospital? Auxiliar na gestão. Para isso, ele é pago com o nosso dinheiro (contribuintes). E daí apresentamos um contrato em que esse mesmo servidor recebe por mês 15 mil reais! Pra que? Objetivando assessorar a administração do hospital na gestão. Então, recebe da prefeitura e recebe do hospital enquanto as pessoas não têm copo para tomar água, quando é preciso entrar com uma medida judicial para uma idosa ter uma forma de alimentação com sonda, enquanto não tem pinça no bloco cirúrgico. Acham correto isso?
 
TEM QUE VER
Entrevistamos prefeito Morona sobre esse episódio do funcionário municipal no hospital.
- Tão logo tomamos conhecimento, a gente já tomou algumas atitudes, justamente para dar lisura em tudo o que tem que ser feito e também para preservar o funcionário. É um funcionário bom, é uma pessoa que tem um conhecimento técnico muito grande e antes que tudo aconteça, que ele seja condenado publicamente, como as pessoas estão fazendo, tem que ver tudo isso que aconteceu.
Em tempo: foi revogada a cedência do funcionário. Hospital rescindiu contrato.
 
CONTRADITÓRIO
Esse contrato é legal ou não? - perguntamos ao prefeito. 
- Eu não tenho essa capacidade jurídica para avaliar a legalidade desse contrato. Não temos a cópia do contrato. Nós solicitamos à Fundação. O que temos é uma cópia que foi feito pela Câmara de Vereadores. Uma vez que eles (vereadores) fazem a fala na tribuna, se torna público e por isso já tomamos algumas atitudes. A primeira delas foi pedir que se encerrasse a cedência do funcionário. A partir disso, possibilitamos o contraditório para que o funcionário faça a explanação, apresente seus documentos e comprove se é legal ou não esse contrato que ele tinha, ou tem, com a Fundação Araucária.
 
NÃO FOI COMUNICADO
- O diretor do hospital informou que tão logo assumiu (dia 1º de julho), comunicou o senhor sobre esse contrato -  mencionamos
- Na verdade, falou que tinha contratos que ele iria rever - informou prefeito. 
- Em momento algum, a Fundação Araucária lhe comunicou sobre o contrato?
- Em momento algum - respondeu.
- Há quem diga que pode até ser legal, mas que seria imoral - fizemos menção. 
- Eu não tenho esse conhecimento - disse prefeito.
 
AGORA, SIM
Sergio Lunardi, novo diretor do Hospital São Paulo de Lagoa Vermelha, cumpre o que havia prometido tão logo chegou à Lagoa Vermelha que é trabalhar com o máximo de transparência possível. Ou seja, abrir à população os números do hospital. E fez assim na terça-feira. Pela manhã se reuniu com os prefeitos de Lagoa Vermelha, Ibiraiaras, Caseiros e Capão Bonito do Sul que tem como referência o Hospital São Paulo. No final da tarde, com os vereadores e a imprensa. Escancarou os números setor por setor. O que tem sido despesa e o que tem sido receita. E aí veio à tona que o prejuízo mensal é de cerca de 400 mil reais mensais. Ao ano, mais de 4 milhões de reais. Não sendo estancada essa sangria financeira imediatamente, o hospital fecha em questão de meses. Não tem como suportar. 
 
DESLIGAMENTO
Sergio Lunardi transmitiu uma informação importante. Está sendo costurado repasse do hospital São Paulo à comunidade de Lagoa Vermelha. Hospital se desvincularia da Fundação Araucária 
Há resistência da comunidade de Lagoa Vermelha em relação à Fundação Araucária. Uma relação desgastada, azeda. Sérgio Lunardi ilustrou como a relação de um casal que não se atura mais. E como a instituição acumula prejuízos consideráveis, a Fundação Araucária se dispõe a repassar à comunidade o hospital. Neste caso, seria criada uma associação com CNPJ próprio e que buscaria filantropia para tocar o hospital. Questão do patrimônio seria discutida num segundo momento.
 
AJUSTES
Como a situação do Hospital São Paulo é delicada em termos financeiros, urgem medidas urgentes para salvar o hospital, evitando que, em questão de pouco tempo, se torne inviável. Novo diretor, Sérgio Lunardi, já está adotando várias medidas saneadoras: rescisões de contratos, corte de gastos, revisão de contratos etc. Medidas amargas, mas necessárias. Porém, o caminho é longo.
 
PEDIDO DE SOCORRO
Sergio Lunardi é realista.
- Eu não vou resolver o problema do hospital sozinho. Temos que resolver esse déficit operacional, nós temos que resolver o déficit financeiro que existe, temos dívidas para pagar. O hospital não tem fontes de recurso, não tem reservas de recurso e nós precisamos manter o serviço andando. Então, precisamos de ajuda. Talvez esse pedido de socorro deveria ter vindo antes. Há muito tempo deveria ter vindo.  Estamos atendendo muito mais do que recebemos. A comunidade tem que abraçar o hospital para que não feche. 

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