COLUNISTAS
10/07/2026
SECRETÁRIO RESPONDE
Secretário da Agricultura e Meio Ambiente de Lagoa Vermelha, Lindomar do Carmo Moraes, justifica o que aconteceu com a perda de 50 mil reais para a Associação de Proteção Incondicional aos Animais (APIA). Presidente sargento Freitas havia criticado duramente a administração municipal pela perda de prazo.
- Eu diria que as pessoas, muitas vezes, usam de má-fé para falar as coisas. O município encaminhou tudo corretamente, fizemos um trabalho árduo, abrimos CNPJ, corremos atrás. Eu vi alguns comentários maldosos, do próprio Freitas, de que o município não quis receber por isso, por aquilo. Me indignei pela forma como ele conduziu essa questão. A gente sempre foi muito parceiro da APIA, da causa animal do município. Sempre corremos atrás e, de certa forma, fiquei um pouco chateado com toda essa situação.
MAIS DE 30 MUNICÍPIOS
- Não foi só Lagoa Vermelha que ficou fora. Foram mais de 30 municípios que ficaram fora. Quando fomos preencher o termo de adesão, o resto da documentação estava tudo pronto. Só que o link ficava girando, girando como se fosse carregar, e quando você ia entrar novamente, ele ainda estava girando. Eu, pessoalmente, fiz ligação para o secretário-adjunto do Meio Ambiente, Marcelo Camardelli. Envolvi o Santini e outras pessoas. Fizemos um documento - eu digitalizei esse documento - e mandamos para o secretário-adjunto da SDR, em Porto Alegre, que é meu amigo. Pedi para ele ir até a SEMA e protocolar esse documento para mim. Isso foi feito - relatou Lindomar.
POLITICAGEM
Lindomar reagiu diante dos ataques sofridos na Câmara de Vereadores.
- O problema de tudo isso é a politicagem que as pessoas usam, muitas vezes, para ferir outras pessoas. Vi, na Câmara de Vereadores, alguns vereadores nos chamando de incompetentes. Acho que isso faz parte um pouco da política. A gente fica chateado. Eu sempre me dediquei em tudo que faço.
REVERTER
Lindomar disse mais.
- Inclusive, como falei, envolvi o deputado Santini pedindo, não só por Lagoa Vermelha, mas para que o deputado Santini tente encaminhar junto a SEMA para que esses mais de 30 municípios que ficaram fora consigam reverter. Eles têm como reverter. Mais de 30 municípios não conseguiram concluir o processo. Eu diria que, talvez, essa questão não esteja perdida ainda. Deputado Santini disse que ia conversar com a secretária Marjorie e, se necessário, com o próprio governador para que conseguisse incluir esses mais de 30 municípios que ficaram fora. O prazo, realmente, era muito curto. Chegou pra nós na segundafeira para encaminhar até às 12 horas de quarta-feira da semana passada. Tinha que inserir dentro do sistema através de um link. Só que o link não carregava. Ficava girando, girando e não carregava. A gente fica chateado com tudo isso, porque corremos atrás. Fui várias vezes no Banrisul para abrir essa conta, o pessoal se empenhou, conseguimos abrir a conta, tudo certo, mas, infelizmente, não conseguimos fazer a adesão em tempo hábil.
DENTRO DA REALIDADE
Houve certo desapontamento com relação à programação de shows da Expolagoa.
- Havia uma grande expectativa com relação ao show nacional - colocamos ao Alessandro Muliterno, presidente da comissão organizadora.
- Foram cogitados vários nomes. Eu, particularmente sou um grande fã do Bruno e Marrone. Foram cogitados Mato Grosso e Matias, Zezé di Camargo e Luciano. Porém, pelo momento que o país passa, uma crise muito grande, seria injusto e inviável com todos aqueles que precisam de recurso aplicar um valor muito alto. Esses shows ultrapassariam a casa de 800 mil reais. Montamos uma feira que conseguiu se moldar a um valor razoavelmente aceitável.
PÉS NO CHÃO
É o que tem sido propugnado com relação à Expolagoa. Nada de loucuras. Tudo dentro daquela ideia dos pés no chão. Nada de dar um passo maior do que as pernas. Município, segundo o prefeito Eloir Morona, está investindo 300 mil reais na retomada da Expolagoa. É o que está ao alcance.
6 REAIS!
Há questão de poucos dias, entrevistamos Dr. Julio Stobbe. É médico. Durante 16 anos dirigiu o Hospital São Vicente de Paulo, de Passo Fundo, um dos hospitais mais importantes do Estado. Em dado momento, coloquei.
- A tabela SUS não é reajustada há cerca de 13 anos. Imagine a situação dos hospitais filantrópicos. Estão à míngua. É o caso de Lagoa Vermelha.
- Essa é uma dificuldade que nós enfrentamos praticamente em todos os hospitais filantrópicos. É uma realidade. Nós temos que trabalhar para que as tabelas sejam reajustadas, mas reajustadas de forma efetiva e que garantam a sustentabilidade das instituições. Até brinco: eu sou clínico e como clínico, se tiver um paciente internado no hospital, recebo por dia R$ 6,00 de proventos do SUS. Se tivesse que pegar um transporte coletivo para ver o paciente e voltar, eu gastaria mais do que isso. Então, não valeria uma passagem de ônibus urbano. Realmente, precisamos reajustar as tabelas do Sistema Mundial de Saúde. Isso é de fundamental importância para garantir a sustentabilidade das instituições - ponderou.
NÃO HÁ FÓRMULA MÁGICA
- O que poderia viabilizar o funcionamento saudável, financeiramente, de um hospital filantrópico como o de Lagoa Vermelha, que está vivendo novamente uma crise, onde a despesa é superior à receita. Teria alguma fórmula? - questionamos Julio Stobbe.
- Fórmulas mágicas não existem. A gente sempre diz que, para um problema complicado, sempre aparece um salvador da pátria com uma solução milagrosa e geralmente errada, não dá certo. Nós temos uma experiência de 2008. Fomos procurados no Hospital São Vicente, naquela época, para organizar e participar da reestruturação do Hospital São João, de Sananduva. Trabalhamos lá por vários anos na reestruturação. Com um trabalho árduo, prolongado, sustentado, conseguimos organizar a estrutura hospitalar. Montamos um pronto atendimento, uma emergência adequada, culminou depois com a montagem até de uma unidade de terapia intensiva, estruturamos as áreas básicas, cirurgia, pediatria, uma anestesiologista que trabalha lá. Hoje já tem mais profissionais nessa área, uma clínica bem organizada e a gente conseguiu organizar a estrutura. Claro, não existe uma solução do dia para a noite. Isso demorou vários anos para que a gente conseguisse organizar a estrutura como está nos dias de hoje. Então, é muito trabalho, mas é importante, sim, que existam essas organizações e essas soluções em nível local, para que a população diminua as suas filas, as suas esperas, os seus sofrimentos e que se consiga sanar essas dificuldades que o hospital da Lagoa Vermelha vem enfrentando atualmente. Teriam que ser implementadas medidas que proporcionassem novas receitas.
PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
- Que tipo de novas receitas, por exemplo? - apertamos.
- O ideal é que se monte um planejamento estratégico para curto, médio e longo prazo. Isso é fundamental. E dentro disso tem, sim, que trabalhar com a perspectiva da sustentabilidade e aí trabalhar com a proporção dos convênios, que é importante fortalecer, porque são os convênios que ajudam a suprir o déficit do SUS atualmente - respondeu Julio Stobbe.


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